segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

COLUNA POLÍTICA | BATALHA NA DIREITA | NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO

GUERRA NA DIREITA: RACHAS, ACUSAÇÕES E O DUELO QUE EXPLODE ENTRE ANDERSON E GILSON EM PERNAMBUCO

A guerra interna no campo conservador pernambucano deixou de ser sussurro de bastidor e virou confronto público. A saída de Gilson Machado Neto do Partido Liberal para o Podemos acendeu o estopim de uma disputa que já vinha sendo travada nos corredores da política estadual. Do outro lado da trincheira está Anderson Ferreira, presidente estadual do PL, que não economizou munição verbal ao acusar o ex-aliado de traição e projeto pessoal.

A coluna NA LUPA mergulha nos bastidores e nos desdobramentos dessa batalha que promete estremecer a direita em 2026.

A SAÍDA QUE VIROU ESTOPIM

Gilson oficializou sua desfiliação do PL após semanas de tensão interna. O pano de fundo foi a disputa por espaço: ele queria viabilizar candidatura majoritária, especialmente ao Senado. Não conseguiu. Sentiu-se isolado. E decidiu sair atirando — ainda que em tom calculado.

Na cerimônia de filiação ao Podemos, soltou a frase que virou senha da crise: “a direita não tem dono”. Recado direto para Anderson.

ANDERSON REVIDA E FALA EM “TRAÍÇÃO”

A resposta veio rápida e em alto volume. Anderson afirmou que Gilson “traiu a direita de Pernambuco” e ainda teria abandonado o grupo por um projeto individual.

O dirigente do PL também disse que a mudança enfraquece o campo conservador no Estado, principalmente diante da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, que o partido pretende apoiar nacionalmente.

Nos bastidores, aliados de Anderson afirmam que o comando estadual não poderia ficar refém de ambições pessoais.

O PESO DOS NÚMEROS: GILSON TEM LASTRO ELEITORAL?

Gilson não é um aventureiro político. Em 2022, disputou o Senado e obteve votação expressiva em Pernambuco, superando a marca de 1 milhão de votos. Ficou fora da vaga, mas consolidou-se como nome competitivo no eleitorado bolsonarista.

Esse desempenho fortaleceu sua convicção de que teria musculatura para disputar novamente um cargo majoritário ou, ao menos, negociar espaço de protagonismo dentro do PL.

O problema é que, na política, voto passado não garante controle futuro.

O FATOR BOLSONARO: HERANÇA EM DISPUTA

Gilson foi ministro do Turismo no governo de Jair Bolsonaro e sempre se apresentou como aliado fiel do ex-presidente.

Mesmo fora do PL, ele mantém discurso alinhado ao bolsonarismo. Já Anderson sustenta que coerência partidária importa — e que apoiar um projeto presidencial estando em outra sigla gera ruído estratégico.

No fundo, ambos disputam a mesma herança política: o eleitor conservador raiz.

PODEMOS: ABRIGO OU TRAMPOLIM?

Ao ingressar no Podemos, Gilson ganhou liberdade para montar chapa proporcional e buscar mandato de deputado federal. O partido, que em nível nacional mantém postura mais flexível, não impõe a mesma disciplina ideológica rígida do PL.

O ponto sensível levantado por Anderson é claro: o Podemos integra base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso em diversas votações.

Para o PL, isso é contradição. Para Gilson, é estratégia.

RACHAS INTERNOS E DESCONFORTO NA BASE

A crise não se resume a dois nomes. Nos municípios, lideranças conservadoras estão divididas. Parte segue fiel à estrutura partidária do PL. Outra parcela vê em Gilson uma alternativa viável para manter o bolsonarismo vivo sem depender do comando estadual.

O temor é simples: divisão de palanque pode significar divisão de votos.

E, na matemática eleitoral, isso costuma custar caro.

2026 NO HORIZONTE: QUEM SOBREVIVE À BATALHA?

A guerra ainda está no começo. Anderson tenta consolidar o PL como única casa legítima da direita pernambucana. Gilson trabalha para provar que o conservadorismo vai além da sigla.

Se a disputa continuar nesse ritmo, o maior adversário da direita pode não ser a esquerda — mas a própria fragmentação interna.

Enquanto isso, o eleitor observa. E aguarda.

Porque em Pernambuco, quando a direita briga, o barulho ecoa longe.

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