sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

DELEGADO ADMITE IRREGULARIDADE EM INVESTIGAÇÃO CONTRA ALIADO DE JOÃO CAMPOS, MAS AFIRMA QUE ERRO NÃO TEM LIGAÇÃO COM A GOVERNADORA

Uma declaração de um delegado da Polícia Civil de Pernambuco trouxe forte repercussão ao cenário político e institucional do Estado após ele admitir que uma investigação envolvendo um aliado político do prefeito do Recife, João Campos, não seguiu os trâmites legais exigidos pela legislação. Apesar da gravidade do reconhecimento, o próprio delegado deixou claro que, até o momento, o erro não tem qualquer relação com a governadora Raquel Lyra e que não existe prova ou indício que aponte envolvimento direto ou indireto da chefe do Executivo estadual no caso.

De acordo com o relato, a investigação foi instaurada de forma inadequada, sem a formalização correta e sem a base jurídica necessária para justificar a abertura do procedimento. A admissão pública da falha chamou atenção de operadores do direito e de observadores da cena política, já que a Polícia Civil deve atuar estritamente dentro da legalidade, especialmente quando os alvos têm ligação com figuras públicas ou grupos políticos relevantes.

O fato de o investigado ser aliado de João Campos ampliou a repercussão e alimentou especulações sobre possíveis motivações políticas por trás da apuração. Ainda assim, o delegado reforçou que a irregularidade reconhecida diz respeito exclusivamente a falhas no procedimento adotado e que, neste estágio, não há qualquer elemento que vincule a governadora Raquel Lyra à condução do caso. A ressalva busca conter interpretações que tentem associar o episódio a uma suposta interferência do Palácio do Campo das Princesas, hipótese que, segundo o próprio reconhecimento oficial, não se sustenta em provas.

Nos bastidores jurídicos, a avaliação é de que a admissão do erro pode levar à anulação dos atos praticados na investigação e abrir espaço para apuração interna sobre responsabilidades administrativas. Especialistas ressaltam que, quando há desvio de rito ou ausência de fundamentação legal, todo o procedimento fica comprometido, independentemente de quem seja o investigado ou do contexto político envolvido.

Dentro da Polícia Civil, o caso é tratado com cautela. A expectativa é que a Corregedoria acompanhe a situação para esclarecer como a investigação foi iniciada, quem autorizou os atos e por que os protocolos legais não foram observados. Ao mesmo tempo, fontes internas destacam a importância de separar responsabilidades técnicas individuais de qualquer tentativa de politização do episódio.

Até agora, nem o prefeito João Campos nem a governadora Raquel Lyra se pronunciaram oficialmente. O caso, no entanto, já se consolida como um episódio sensível, que expõe fragilidades institucionais, mas também reforça um ponto central: apesar da irregularidade admitida, não há, por enquanto, qualquer prova ou indício que relacione o erro à governadora, mantendo o foco da apuração restrito à condução interna da investigação.

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