Ao lado de mais de 100 professores universitários de diversas regiões do Estado, Alfredo Gomes formalizou filiação à Rede Sustentabilidade, consolidando um núcleo político que pretende disputar os principais cargos em 2026. Além da cabeça de chapa ao Governo, o grupo lançou o nome do ex-deputado federal Paulo Rubem Santiago ao Senado e apresentou uma estrutura inicial com cinco pré-candidatos a deputado federal e 25 a deputado estadual, distribuídos em 15 municípios pernambucanos.
A lógica por trás da movimentação é estratégica: no sistema proporcional brasileiro, o desempenho individual está diretamente atrelado ao volume total de votos da legenda. Assim, a formação de uma chapa competitiva e territorialmente capilarizada torna-se decisiva para a conquista de cadeiras. Nesse cenário, o fortalecimento coletivo pode viabilizar projetos que, isoladamente, enfrentariam maiores obstáculos.
Entre os principais beneficiados de um eventual crescimento da chapa está o ex-deputado federal Wolney Queiroz, que obteve expressiva votação em 2022, mas não conseguiu retornar à Câmara devido ao desempenho global da legenda. Outro nome que pode ganhar novo fôlego é o do ex-prefeito de Caruaru, Zé Queiroz, que mira uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Ambos dependem, fundamentalmente, de um ambiente partidário robusto para converter votos em mandato.
O desenho, no entanto, ainda pode sofrer alterações relevantes. Túlio Gadêlha confirmou que negocia uma possível migração para o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e que a decisão sobre permanecer na Rede ou trocar de legenda será tomada até o fim de fevereiro. Caso a mudança se concretize, o deputado deve levar consigo parte significativa dos pré-candidatos proporcionais já alinhados ao projeto, o que reforçaria substancialmente o desempenho eleitoral do PDT no Estado.
A eventual volta de Túlio ao PDT carrega simbolismo político. Apesar de ter deixado a sigla em meio a tensões com o grupo dos Queiroz, uma reaproximação pode representar convergência pragmática de interesses: fortalecer a legenda para ampliar o quociente eleitoral e criar condições concretas para o retorno de Wolney à Câmara Federal e para a consolidação da candidatura de Zé Queiroz à Alepe. Nos bastidores, aliados classificam o movimento como “ganha-ganha”, numa equação em que a ampliação da base beneficia tanto o projeto individual de reeleição de Túlio quanto a recomposição de lideranças tradicionais.
Batizado de “Movimento do Sertão ao Cais: Pernambuco é do Povo”, o grupo se apresenta como alternativa à polarização que hoje se desenha entre a governadora Raquel Lyra, do Partido Social Democrático (PSD), e o prefeito do Recife, João Campos, do Partido Socialista Brasileiro (PSB). A proposta, segundo seus articuladores, é construir um programa de governo com participação popular, ouvindo representantes do Grande Recife e do interior, com foco prioritário em educação, saúde e meio ambiente.
Para além do discurso programático, o cálculo eleitoral é evidente. Ao estruturar uma chapa com candidatura própria ao Governo, nome competitivo ao Senado e dezenas de postulantes ao Legislativo, o grupo busca elevar o patamar de votos da legenda, fator determinante no sistema proporcional. Quanto maior o volume de votos totais, maiores as chances de conversão em cadeiras — e, consequentemente, de sobrevivência política.
Nesse contexto, a pré-candidatura de Alfredo Gomes funciona como peça central de uma engrenagem maior. Mais do que disputar o Palácio do Campo das Princesas, o projeto pretende reorganizar o campo político alternativo no Estado, reposicionar quadros experientes e criar uma base sólida para 2026. O sucesso da estratégia dependerá da consolidação partidária nos próximos meses e da capacidade de transformar mobilização acadêmica e discurso de renovação em densidade eleitoral concreta nas urnas.
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