Segundo a denúncia apresentada por Chico Kiko, Moura teria quebrado o decoro parlamentar ao fazer um gesto interpretado como ofensivo — a colocação simbólica de “chifres” sobre a cabeça do socialista — enquanto o plenário acompanhava um debate. Para o vereador do PSB, a atitude ultrapassou os limites da divergência política e configurou desrespeito pessoal e institucional, justificando a abertura de procedimento disciplinar.
Além da representação na Comissão de Ética, Chico Kiko também levou o caso à Justiça Comum, ampliando o alcance da disputa. Nos bastidores, aliados do socialista avaliam que é preciso estabelecer um freio a comportamentos considerados incompatíveis com a liturgia do cargo, sobretudo em um ambiente que deve prezar pelo debate democrático e pela civilidade.
Eduardo Moura, por sua vez, reconheceu que sua postura foi inadequada e pediu desculpas públicas ao colega. Em sua versão dos fatos, o gesto teria sido uma reação impulsiva ao que classificou como uma tentativa deliberada de Chico Kiko de se posicionar entre ele e o líder do Governo Municipal, Samuel Salazar, durante a sessão. Moura alegou que o posicionamento do socialista teria sido estratégico para impedir que as câmeras registrassem sua manifestação de discordância em relação ao discurso do governista.
Mesmo com o pedido de desculpas, Chico Kiko afirmou não aceitar a retratação, sustentando que a gravidade do ato exige uma resposta formal da Casa. A situação coloca Eduardo Moura no centro de um processo que pode ter desdobramentos significativos, sobretudo porque a base governista detém maioria ampla no Legislativo recifense, o que pode influenciar o andamento e o resultado da análise na Comissão de Ética.
Ainda assim, parlamentares da oposição apostam no chamado “espírito de corpo” do Legislativo, tradição que historicamente tende a evitar punições extremas como a cassação de mandato, especialmente quando o fato não envolve questões administrativas ou financeiras, mas sim conflitos políticos e comportamentais.
O caso reacende o debate sobre os limites da atuação parlamentar, o papel das redes sociais na amplificação de episódios internos e a responsabilidade institucional dos eleitos diante da opinião pública. Enquanto a Comissão de Ética se prepara para avaliar a admissibilidade da representação, o episódio reforça o clima de polarização na Câmara do Recife e promete movimentar os bastidores políticos nas próximas semanas.
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