Para o petista, não votar a mudança significa virar as costas para uma parcela enorme da população que vive sob uma rotina de seis dias de trabalho para apenas um de descanso.
“Não votar essa proposta é negar cidadania ao povo brasileiro, às mulheres brasileiras, aos trabalhadores brasileiros”, afirmou Humberto.
A PEC prevê uma mudança gradual na jornada. A implantação seria feita ao longo de 14 meses, permitindo que empresas e setores produtivos tenham tempo para se adaptar. Na primeira etapa, a jornada semanal seria reduzida em duas horas, mantendo a garantia de dois dias de descanso por semana. Depois desse período de transição, a jornada passaria a ser de 40 horas semanais, sem redução salarial.
Humberto fez questão de rebater também o discurso de que a proposta teria chegado de repente ao Congresso. Segundo ele, a discussão não nasceu agora e vem sendo construída há anos, com participação de trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais.
O senador lembrou ainda que a Câmara dos Deputados já analisou a matéria e que o debate sobre a redução da jornada não é novidade para o setor produtivo.
Na avaliação do petista, existe também um argumento histórico que precisa ser levado em consideração. Humberto recordou que, há 38 anos, o Brasil reduziu a jornada máxima de trabalho de 48 para 44 horas semanais e, naquela época, também houve quem previsse prejuízos à economia e à produtividade.
Nada disso, segundo ele, aconteceu da forma como os críticos anunciavam.
O senador citou ainda experiências internacionais para defender que jornadas menores podem resultar em trabalhadores mais descansados, redução de acidentes e ganhos de produtividade.
Mas foi ao falar da oposição à PEC que Humberto abandonou o tom institucional e partiu para o confronto político.
“Essa extrema direita que está no Congresso Nacional não quer aprovar a PEC porque defende única e exclusivamente o direito do patrão, porque acha que trabalhador é somente para carregar cangalha”, disparou.
A declaração deixa claro que a discussão sobre a escala 6×1 está longe de ser apenas uma questão técnica sobre legislação trabalhista. O tema começa a assumir contornos de disputa ideológica dentro do Congresso, colocando de um lado parlamentares que defendem a redução da jornada sem corte salarial e, do outro, setores que alertam para os possíveis impactos da mudança sobre empresas, empregos e custos de produção.
Humberto, reeleito para mais um mandato no Senado, tenta transformar a aprovação da PEC em uma bandeira política para o novo ciclo legislativo. Para ele, a mudança representa mais do que uma alteração no número de horas trabalhadas: seria uma mudança na relação entre tempo de trabalho, descanso e qualidade de vida.
A expectativa é que o Senado avance na tramitação e vote o texto em primeiro turno já na próxima semana. Se a proposta conseguir superar a resistência existente entre os parlamentares, o fim da escala 6×1 poderá se transformar em uma das principais batalhas políticas do Congresso no período pós-eleitoral.
No discurso de Humberto, a mensagem foi direta: para o trabalhador, dois dias de descanso e uma jornada menor significam dignidade. Para seus adversários, a conta e os impactos econômicos ainda precisam ser colocados na mesa.
E é justamente aí que a briga promete ficar mais pesada.
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