quinta-feira, 8 de outubro de 2026

LULA ADMITE CAOS NA CAMPANHA E DIZ QUE FOI A PIOR ORGANIZAÇÃO DESDE 1989

Presidente reconhece falhas na estratégia petista, reclama da campanha digital e admite que não esperava sequer ficar atrás do adversário no primeiro turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resolveu colocar o dedo na ferida. Em reunião com parlamentares eleitos do campo da esquerda, nesta quarta-feira (8), o petista fez uma avaliação dura da própria campanha e classificou a organização eleitoral deste ano como a pior que já participou desde 1989.

A declaração expõe uma situação que o comando petista tenta administrar depois de um primeiro turno muito abaixo das expectativas. Lula afirmou que a campanha ficou aquém de sua capacidade e atribuiu parte do resultado à falta de organização do partido na mobilização eleitoral.

“Essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989 e a gente colhe o que planta”, afirmou Lula, ao relatar uma conversa com Edinho Silva, presidente nacional do PT.

O presidente também reconheceu que o partido não conseguiu compreender completamente as mudanças no comportamento do eleitorado. Segundo Lula, existe hoje uma parcela significativa da classe trabalhadora que não se identifica mais com o modelo tradicional de emprego com carteira assinada e prefere trabalhar por conta própria.

É justamente aí que mora uma das dores de cabeça do PT: o eleitor mudou, mas a estratégia de comunicação do partido aparentemente não acompanhou a velocidade dessa mudança.

Lula admitiu ainda que ficou surpreso com o desempenho eleitoral obtido no primeiro turno. Segundo ele, diante das entregas realizadas pelo governo nos últimos quatro anos, a expectativa era de uma votação muito mais confortável.

“Eu não conseguia enxergar a gente perdendo, por conta das nossas entregas. Estranhei não ganhar a eleição ou ao menos ficar à frente”, disse.

A reunião em Brasília teve como objetivo justamente reorganizar a tropa para o segundo turno. Parlamentares eleitos pelo campo da esquerda participaram das discussões e cobraram uma mudança de postura, principalmente nas redes sociais.

Entre os presentes estavam novos deputados e senadores eleitos com votações expressivas, além de nomes como Érika Hilton (PSOL-SP). Parlamentares mais jovens fizeram críticas à estratégia digital utilizada durante o primeiro turno e defenderam uma campanha mais agressiva e conectada com o eleitor que hoje passa boa parte do dia nas redes.

O recado é claro: não basta repetir discurso, comemorar entregas do governo e acreditar que a máquina eleitoral fará o trabalho sozinha.

Lula, porém, ainda demonstra confiança na virada. Para o presidente, uma campanha organizada pode mudar o cenário e levar o eleitor novamente para o lado petista.

“Se a gente fizer o que precisa, não há por que a gente não ganhar a eleição, pelo retrocesso do nosso adversário”, afirmou.

A fala revela também uma estratégia que deve dominar o segundo turno: transformar a disputa em um confronto direto entre continuidade e “retrocesso”.

O problema é que Lula agora terá de convencer um eleitorado que, segundo sua própria avaliação, não foi alcançado pela comunicação do governo.

E quando o próprio presidente admite que participou da campanha mais desorganizada de sua trajetória política desde 1989, o diagnóstico fica ainda mais pesado para o comando do PT.

O segundo turno começa, portanto, com uma tarefa nada simples para Lula: organizar a casa, entender o eleitor que mudou e tentar recuperar nas urnas aquilo que sua campanha não conseguiu entregar no primeiro turno.

A eleição entrou em uma nova fase. E, pelo discurso do próprio Lula, o PT finalmente percebeu que não estava tão confortável quanto imaginava.

Nenhum comentário: