segunda-feira, 23 de maio de 2011

TRAGÉDIA NO LAGO EM BRASILIA

Criança morre e sete pessoas estão desaparecidas após naufrágio de barco no lago Paranoá em Brasília

Buscas vão continuar de madrugada com lanchas, barcos e mergulhadores.Bebê de seis meses morreu; mãe da criança é uma das desaparecidas.


O coronel Luis Blumm, do Comando Operacional do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, afirmou na madrugada desta segunda-feira (23) que sete pessoas que estavam no barco que afundou na noite deste domingo (20) no Lago Paranoá, em Brasília, continuam desaparecidas e estão sendo procuradas pelas equipes de resgate.Inicialmente, o Corpo de Bombeiros informou que 104 pessoas estavam a bordo da embarcação. Por volta de 1h, Blumm informou que não é possível dizer o número exato de pessoas a bordo da embarcação na hora do acidente. Elas participavam de uma festa paga organizada por um buffet. “Não recebemos uma lista fechada dos passageiros do barco, por isso não e possível dizer por enquanto quantas pessoas estavam a bordo”, afirmou.
Barco vira em Brasília, mata 
bebê e deixa sete desaparecidos (Reprodução/TV Globo)
Entre os desaparecidos, está Valdelice Fernandes, de 34 anos, mãe do bebê de seis meses que morreu afogado no acidente. (veja vídeo) De acordo com o Blumm, o bebê foi retirado da água pelos bombeiros e recebeu massagem cardíaca, mas não resistiu e morreu na margem do Lago.Segundo o coronel, 92 pessoas foram resgatadas.Três delas precisaram ser encaminhadas ao Hospital de Base. Não há informações sobre o estado de saúde das vítimas. As outras 89 pessoas resgatadas receberam cobertores térmicos e foram liberadas.De acordo com Blumm, as buscas por vítimas continuarão durante toda a madrugada. “Há esperança de haver sobreviventes. As próximas sete horas são cruciais para resgatar os desaparecidos. Há possibilidades de vitimas com vida boiando no Lago”, disse. Às 2h40, a Marinha informou que a operação de mergulho foi encerrada e que continuaria a partir das 6h. Cinco lanchas continuarão a fazer ronda pelo lago em busca de vítimas.


Causas do acidente
O delegado da Marinha Fábio Rogério Leite Sousa afirmou que abriu um inquérito administrativo para apurar as causas do acidente. Ele afirmou que há indícios de que havia excesso de passageiros. Segundo ele, a embarcação tinha capacidade para 90 pessoas, sendo que o Corpo de Bombeiros já resgatou, até a 1h desta segunda-feira, 92 pessoas.Outra hipótese que poderia ter provocado o acidente é um suposto choque da embarcação com uma lancha. "A informação que temos é que uma lancha encostou no barco, mas isso não é determinante para o afundamento. Apenas com a investigação será possível saber a causa exata", afirmou o delegado da Marinha.Sousa disse ainda que os documentos da embarcação estavam em dia. O delegado não soube dizer com certeza de onde a embarcação partiu. “A princípio, a embarcação fica atracada no Ascade e saiu daqui”, afirmou. Em nota, a Associação dos Servidores da Câmara dos Deputados (Ascade) informou que o barco se chamava Imagination, que era de propriedade particular e que teria saído do clube Cota Mil.


Relatos de vítimas
Antes de prestar depoimento na 10º Delegacia de Policia de Brasília, o comandante do barco, Airton da Silva Maciel, de 28 anos, disse à TV Globo que a embarcação passava por reformas. Ele afirmou que, frequentemente, se dirigia à casa de máquinas para checar se havia infiltração de água. Em uma dessas vistorias, ele disse que verificou a água entrando rapidamente. Em seguida, o barco começou a virar.Parte dos ocupantes da embarcação recebeu os primeiros socorros no clube Ascade, que fica perto do local do acidente.Por volta das 23h15, algumas vítimas resgatadas começaram a deixar o clube. Uma das primeiras vítimas a deixar o local após receber os primeiros socorros, Jéssica Yvi, de 22 anos, disse que o barco começou a virar rapidamente. "Estávamos lá e, de repente, uma mulher pediu para todos irem para a frente do barco. Ele [o barco] foi virando e afundando", afirmou.Magno Moreira, de 22 anos, contou que a festa era paga, com entrada a R$ 60, e tinha bebida liberada. “Uma hora depois de entramos no barco, fui ao banheiro e vi que começou a subir água. Logo depois, em dez minutos, a embarcação virou e afundou. Eu não sei nadar e me apoiei em um pedaço do barco que ficou para fora [da água]", contou. De acordo com o jovem, havia cerca de 20 de coletes salva-vidas na embarcação.

Há exatamente um ano, o naufrágio de uma lancha no Lago Paranoá resultou na morte de duas irmãs, que não sabiam nadar. A perícia indicou que a superlotação provocou o naufrágio da lancha. Com capacidade para seis pessoas, a embarcação levava 11 passageiros na hora do acidente. O piloto, José da Rocha Costa Júnior, foi indiciado por homicídio culposo.

Fonte: G1
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