segunda-feira, 18 de julho de 2011

ABERTA A TEMPORADA DE INVASÃO DE BASES ELEITORAIS EM RECIFE

Temporada de invasão às bases no Recife

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Múcio Magalhães: "Acho desonesto quem oferece e quem aceita"


Por Manoel Guimarães
Da Folha de Pernambuco

Durante o recesso do Legislativo municipal, os vereadores do Recife passam a dedicar um tempo maior às suas bases eleitorais - territórios onde obtiveram mais votos nas últimas eleições. Porém, faltando pouco mais de um ano para o próximo pleito, começam a surgir queixas sobre invasões de base, o que ocorre quando determinado candidato realiza ações em área que deu votos a outro vereador. Tal prática estaria atrelada a uma possível cooptação de lideranças comunitárias, ação condenável para uns e uma forma de sobrevivência eleitoral para outros. Esse cenário tende a apimentar os bastidores da Casa de José Mariano pelos próximos meses até o pleito municipal.

Vereador desde 1997, Marcos Menezes (DEM) revela que o assédio às lideranças ligadas a um legislador é prática comum mais perto da eleição. “Existe uma liderança de determinada comunidade que te rende um bom número de votos. Chega alguém e oferece a ela um bom dinheiro. O que se pode fazer? Ainda está muito cedo. Pode até estar ocorrendo, mas não de forma tão sistemática como ocorre às vésperas da eleição”, relata Menezes.

O petista Múcio Magalhães também não concorda com a compra de lideranças. O vereador, sexto mais votado em 2008, com 9.990 votos, afirma que não adotará a prática, mesmo que acabe perdendo eleitores no ano que vem. “Não posso acusar quem vai para outras bases. Quem sai, vai porque quer. Agora, não existe só o corrompido, também existe o corruptor. Acho desonesto quem oferece e quem aceita. Não vou atrás de quem já tem candidato. Eu não faço leilão de gente. Quem está comigo é por concordância política”, alfineta Múcio.

Para Gilberto Alves (PTN), a disputa por espaço sempre vai acontecer, embora a ideia de relacionamento com as bases precise ser reformulada. “Não acredito nessa política de base A ou base B. A base é o seu trabalho. O vereador tem que ser da cidade. Há uma distorção no conceito de base. Às vezes o vereador tem uma identificação maior porque mora ou ajuda tal bairro ou comunidade. Então ele acha que ninguém tem o direito de ir lá, estabelecer uma relação, fazer um trabalho. Ele se sente o dono, e isso não é bom”, aponta.

A invasão de bases é atenuada com a possível entrada na disputa eleitoral de nomes como George Braga (PCdoB), Jayme Asfora (PMDB), André Régis (PSDB), Henrique Leite (PT) e Luciana Félix (PT), além dos filhos do deputado Eriberto Medeiros (PTC) e do vereador Romildo Gomes (DEM), caso este não concorra à reeleição. Além disso, está em jogo um montante de 46.749 votos dos ex-vereadores Luciano Siqueira (PCdoB), Francismar Pontes (PTB), Daniel Coelho (PV), Gustavo Negromonte (PMDB) e Roberto Teixeira (PP), que conquistaram mandatos de deputado em 2010, e Luiz Vidal (PSDC), falecido em 2009. Francismar pode lançar o filho.

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