segunda-feira, 18 de julho de 2011

DEPUTADOS DE PERNAMBUCO TÊM FÉRIAS DAS MAIS LONGAS DO PAÍS

Férias dos deputados de Pernambuco 
estão entre as 10 mais longas do país


O Congresso Nacional é espelho para muitas práticas da Assembleia 
Legislativa de Pernambuco. Em 2010, por exemplo, os deputados estaduais 
aprovaram aumento de 62% nos próprios salários, em consonância com 
os federais. Este ano, ao justificar o pagamento do auxílio-paletó 
(R$ 40 mil anuais a cada um dos 49 membros da Casa) a frase mais ouvida
 era de que a verba também era repassada na Câmara Federal. Mas, 
quando o assunto é recesso parlamentar, a situação muda. Enquanto o 
Congresso adota 55 dias anuais, um deputado pernambucano fica 
desobrigado das atividades plenárias por 71 dias.

Esse período já chegou a ser de 90 dias no Legislativo estadual. 
Em 2006 foi aprovada uma emenda constitucional reduzindo-o para
 60 dias, distribuídos entre os meses de julho e janeiro. Não durou um
 ano. A nova mudança veio em 2007 sob o pretexto de dezembro ser
 um mês festivo. Foram incluídos, então, 10 dias de folga na agenda 
dos deputados, sem que houvesse nenhuma subtração nos outros
 meses. Hoje Pernambuco tem o 10º maior recesso entre os 27 
legislativos brasileiros. Vale ressaltar que, no período, os deputados
 recebem salários e verba indenizatória.

O topo da lista dos maiores recessos é dividido por Alagoas e 
Rio Grande do Norte, com 93 dias de folga, cada. Do lado 
oposto estão Amazonas e Santa Catarina, cujo regimento interno
 estabelece 45 dias de recesso. Dez a menos do que Câmara de
 Deputados. Diferença que, em breve, pode ser ainda menor para
 o Amazonas. No próximo semestre, a Casa nortista vota uma 
proposta do deputado estadual Belarmino Lins (PMDB) para 
igualar esse período aos 30 dias de férias a que tem direito um trabalhador.

Questionados sobre a possibilidade de “importar a ideia” para 
Pernambuco, poucos deputados estaduais quiseram se pronunciar. 
“Eu não gostaria de impor minha opinião. É melhor deixar a Casa
analisar, se alguém sugerir”, esquivou-se o deputado Sérgio Leite (PT). 
Em tom semelhante, o deputado Cleiton Collins (PTC) preferiu “não se
 pronunciar sobre o tema”. Já o deputado Edson Vieira (PSDB), afirmou
 que poderia apoiar a proposta se ela fosse apresentada. Nenhum deles,
 no entanto, quis “comprar” a sugestão e ser autor de um texto semelhante.

Para a deputada Teresa Leitão (PT) essa discussão não é prioridade
e. “Estou aberta ao debate se ele for levantado, mas não vejo isso como
 prioridade porque recesso não é férias. A qualquer momento podemos 
ser convocados sem receber extra por isso”, posicionou-se. O pagamento 
extra por sessões durante o recesso, o jeton, foi extinto em 2006 no 
estado.

Na mesma linha de diferenciar recesso de férias, o deputado Henrique
 Queiroz (PR) disse que esse período sem “as obrigações da assembleia”
 era fundamental para visitar as bases eleitorais. “Os deputados têm que
prestar assistência aos municípios e há lugares que são pelo menos dois 
dias de viagem do Recife. Então esse espaço serve também para essas 
viagens.” Indagado se 71 dias era muito tempo de folga, respondeu: “É um
 período normal”.
Por Júlia Schiaffarino, do Diario de Pernambuco

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