Férias dos deputados de Pernambuco
estão entre as 10 mais longas do país
O Congresso Nacional é espelho para muitas práticas da Assembleia
Legislativa de Pernambuco. Em 2010, por exemplo, os deputados estaduais
aprovaram aumento de 62% nos próprios salários, em consonância com
os federais. Este ano, ao justificar o pagamento do auxílio-paletó
(R$ 40 mil anuais a cada um dos 49 membros da Casa) a frase mais ouvida
era de que a verba também era repassada na Câmara Federal. Mas,
quando o assunto é recesso parlamentar, a situação muda. Enquanto o
Congresso adota 55 dias anuais, um deputado pernambucano fica
desobrigado das atividades plenárias por 71 dias.
Esse período já chegou a ser de 90 dias no Legislativo estadual.
Esse período já chegou a ser de 90 dias no Legislativo estadual.
Em 2006 foi aprovada uma emenda constitucional reduzindo-o para
60 dias, distribuídos entre os meses de julho e janeiro. Não durou um
ano. A nova mudança veio em 2007 sob o pretexto de dezembro ser
um mês festivo. Foram incluídos, então, 10 dias de folga na agenda
dos deputados, sem que houvesse nenhuma subtração nos outros
meses. Hoje Pernambuco tem o 10º maior recesso entre os 27
legislativos brasileiros. Vale ressaltar que, no período, os deputados
recebem salários e verba indenizatória.
O topo da lista dos maiores recessos é dividido por Alagoas e
O topo da lista dos maiores recessos é dividido por Alagoas e
Rio Grande do Norte, com 93 dias de folga, cada. Do lado
oposto estão Amazonas e Santa Catarina, cujo regimento interno
estabelece 45 dias de recesso. Dez a menos do que Câmara de
Deputados. Diferença que, em breve, pode ser ainda menor para
o Amazonas. No próximo semestre, a Casa nortista vota uma
proposta do deputado estadual Belarmino Lins (PMDB) para
igualar esse período aos 30 dias de férias a que tem direito um trabalhador.
Questionados sobre a possibilidade de “importar a ideia” para
Questionados sobre a possibilidade de “importar a ideia” para
Pernambuco, poucos deputados estaduais quiseram se pronunciar.
“Eu não gostaria de impor minha opinião. É melhor deixar a Casa
analisar, se alguém sugerir”, esquivou-se o deputado Sérgio Leite (PT).
Em tom semelhante, o deputado Cleiton Collins (PTC) preferiu “não se
pronunciar sobre o tema”. Já o deputado Edson Vieira (PSDB), afirmou
que poderia apoiar a proposta se ela fosse apresentada. Nenhum deles,
no entanto, quis “comprar” a sugestão e ser autor de um texto semelhante.
Para a deputada Teresa Leitão (PT) essa discussão não é prioridade
Para a deputada Teresa Leitão (PT) essa discussão não é prioridade
e. “Estou aberta ao debate se ele for levantado, mas não vejo isso como
prioridade porque recesso não é férias. A qualquer momento podemos
ser convocados sem receber extra por isso”, posicionou-se. O pagamento
extra por sessões durante o recesso, o jeton, foi extinto em 2006 no
estado.
Na mesma linha de diferenciar recesso de férias, o deputado Henrique
Na mesma linha de diferenciar recesso de férias, o deputado Henrique
Queiroz (PR) disse que esse período sem “as obrigações da assembleia”
era fundamental para visitar as bases eleitorais. “Os deputados têm que
prestar assistência aos municípios e há lugares que são pelo menos dois
dias de viagem do Recife. Então esse espaço serve também para essas
viagens.” Indagado se 71 dias era muito tempo de folga, respondeu: “É um
período normal”.
Por Júlia Schiaffarino, do Diario de Pernambuco

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