Goiana: famílias aproveitam dia de sol para limpar as casas após inundação
O nível do Rio Goiana baixou e o dia foi de faxina para tentar recuperar o que a chuva não levou; prefeitura diz que vai construir casas para famílias que moram às margens do rio
O dia hoje foi de faxina para tentar salvar o que a inundação não levou. “Não sei o prejuízo. Já passei por isso uma sete vezes ou oito. Aqui é assim mesmo quando chove. Mas nunca foi assim, grande demais, não”, conta o comerciante Damião da Mota.
Na mesma rapidez com que subiu, a água baixou. A rua Baldo do Rio, é única em que ainda só se chega ou sai de casa de barco. Na segunda-feira, vários bairros das áreas ribeirinhas de Goiana estavam debaixo d’água. Na BR-101 só passavam caminhões. Mais de 500 famílias tiveram que ir para abrigos ou casas de parentes.
A faxineira Marlene Cristina da Silva (foto 3) saiu de casa com os dois netos no domingo, voltou hoje e encontrou móveis e roupas cobertos de lama. “Claro que eu imaginava que o prejuízo ia ser grande. Pior é a sujeira. Eu vou voltar para cá, porque eu não tenho onde morar. Vou para onde, para a casa do vizinho? O que tiver de jogar fora eu jogo e depois dou um jeito de comprar”, lamenta.
Nas lojas, o expediente começou mais cedo com a limpeza. Em uma oficina de pintura de carros, havia seis veículos na hora em que a enchente começou. A água atingiu alguns carros, que estavam prontos para serem entregues aos donos. O serviço vai ter que ser refeito.
O dono da oficina Nivaldo Menezes olha e ainda não consegue acreditar no prejuízo. “Hoje já entrei em contato com dois ou três. Estou só aguardando eles chegarem para ver como vamos resolver essa situação. Tem que ver a parte elétrica, motor, mecânica, caixa de marcha... Porque tudo danifica, né?”.
O prefeito de Goiana, Henrique Fenelon, disse que engenheiros da Prefeitura estão fazendo um projeto para construir novas casas para as famílias que, hoje, moram às margens do rio. Ele acredita que o projeto deve ficar pronto em um mês e será levado ao Governo do Estado, que pode liberar dinheiro para a obra.
PONTE DA PE-75
A cabeceira da ponte que liga o município de Goiana a Itambé caiu. Ela fica na PE-75 e está interditada desde o último domingo. Um buraco enorme ficou aberto, o que chama a atenção de curiosos. Uma equipe do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) está trabalhando no local. Segundo eles, ainda não há prazo para a recuperação da ponte nem de quando ela será liberada para o trânsito.
NÚMEROS
Várias famílias perderam as casas também em outros oito municípios pernambucanos. O município de Aliança é o segundo com maior número de desabrigados: 54. Em terceiro, vem Olinda, com 35. Jaboatão dos Guararapes registrou 14 famílias sem ter onde morar. Em Timbaúba, são 12 famílias e em Vicência, 11. A cidade de Camutanga tem oito famílias sem casa. A capital Recife tem quatro pessoas e Paulista, uma família está desabrigada. Os dados são da Defesa Civil do Estado (Codecipe).
ÁGUA
Quatro cidades da Mata Norte do Estado continuam sem água. As estações de abastecimento de Ferreiros, Camutanga, Condado e Aliança ficaram alagadas por causa da chuva do fim de semana. Em Ferreiros, o abastecimento deve voltar nesta quarta-feira. Camutanga, Condado e Aliança só devem receber água na quinta-feira.
Porto de Galinhas, no Litoral Sul, também teve equipamentos da estação elevatória inundados. A Compesa diz que ainda não conseguiu chegar a essa estação. O acesso está cheio de lama. Nesta quarta-feira, técnicos vão tentar novamente ir até lá para fazer o conserto.
ENERGIA
A energia elétrica nas cidades de Goiana, Itambé e Condado foi restabelecida a tarde da última segunda-feira. A Celpe tinha suspendido o fornecimento para garantir a segurança dos moradores depois da forte chuva.
SERVIÇO:
Defesa Civil de Pernambuco - Codecipe
(81) 3181.2490




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