| Mandatos de senadores e deputados federais já consumiram R$ 53 milhões dos cofres públicos |
Por Renata Baptista Da Folha de Pernambuco Já imaginou um emprego onde se ganha um salário no valor de R$ 26.723,13 - com direito a 13°, 14° e 15° salários -, e ainda receber uma verba de até R$ 42 mil mensais para cobrir despesas decorrentes do trabalho? Apesar de muitos não saberem, esse é o trabalho de senadores e deputados federais. Além de seus salários, os parlamentares utilizaram R$ 53 milhões dos cofres públicos neste primeiro semestre legislativo (que exclui janeiro) com verba relativa a gastos como deslocamento, alimentação, aluguel e manutenção de escritórios de apoio aos mandatos, segurança e assinatura de publicações, entre outros itens. Na verdade, este valor pode ser ainda maior, pois eles têm até três meses para registrarem os gastos. A Folha de Pernambuco mostra como este dinheiro foi gasto e quem promoveu os maiores e menores gastos com suas cotas no Congresso e a impressão de populares sobre os valores. Alguns populares ouvidos pela reportagem afirmaram desconhecer qual o salário dos políticos ou os valores das cotas parlamentares. Após serem informados, todos mostraram surpresa com os altos valores e afirmaram que eles não são justos. A estudante de Direito Gabriela Fernandes, de 17 anos, afirmou saber os valores dos vencimentos dos parlamentares e disse que se todos tivessem o mesmo interesse que ela, talvez provocasse um senso maior de responsabilidade nos políticos. Ela destacou ainda que os políticos poderiam receber um salário menor devido ao alto valor das cotas e pela alta estrutura que o Governo os oferece. O taxista Marcos Antonio da Silva, de 47 anos, afirmou não entender o porquê de um trabalhador “normal” ter que pagar seu transporte para trabalhar e um parlamentar, mesmo com salários tão altos, não poderem pagar a gasolina de seus carros do próprio bolso. No Senado Federal, os 81 senadores utilizaram, no primeiro semestre eleitoral, o total de R$ 5 milhões. Apenas um grupo com dez senadores gastou, juntos, R$ 1 milhão - o que representa 20% do total. Antes, a verba indenizatória dos senadores era fixada em R$ 15 mil para cada político. Desde junho, após a Mesa Diretora da Casa unificar os valores da verba com os gastos com passagens aéreas, a Cota para Exercício da Atividade Parlamentar dos Senadores - mais conhecida como Cotão - é estipulada para cada senador dependendo do Estado onde eles foram eleitos e varia de R$ 21 mil para senadores do Distrito Federal e Goiás a R$ 42,8 mil para os do Amapá. A principal despesa dos senadores foi com locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes, que consumiram R$ 2 milhões - ou 41% do total. Em seguida, os principais gastos foram registrados com os aluguéis de escritórios políticos nos Estados. Foi R$ 1,3 milhão com locação de imóveis. O terceiro no ranking de gastos é um item, no mínimo, curioso. Isso porque apesar de disporem de servidores concursados, os senadores gastaram cerca de R$ 700 mil com pesquisas e serviços externos de consultoria. Apesar de não possuir verba para gabinete, cada senador tem à sua disposição nove funcionários efetivos e 11 comissionados, sendo seis assessores (salário de R$ 8 mil) e cinco secretários (R$ 6,8 mil). Vale destacar ainda que, além do salário e do Cotão, os senadores dispôem de carro oficial com motorista e um tanque cheio por semana para rodar em Brasília, conta de telefone paga (inclusive residencial) e plano de saúde vitalício. Os senadores que não quiserem morar nos apartamentos funcionais disponibilizados pelo Governo recebem um auxílio-moradia no valor de R$ 3,8 mil. Hoje, 42 senadores ocupam imóveis funcionais e 28 usam o auxílio. Outros 11 não utilizam nenhum dos dois benefícios. Câmara Na Câmara, os gastos com 567 parlamentares para exercício de suas atividades, no primeiro semestre legislativo, chegou a R$ 48,3 milhões. Destes deputados, 54 saíram por determinação judicial ou para assumir outro cargo, sendo substituídos pelos suplentes. O valor que eles receberam - R$ 552,5 mil - está incluso no total. Assim como acontece com os senadores, o valor da verba varia dependendo do Estado onde o deputado foi eleito. A menor cota é no valor de R$ 23 mil para deputados do Distrito Federal. A maior, de R$ 34 mil, é para os deputados de Roraima. Os maiores gastos no semestre - R$ 8,8 milhões, ou quase 18% do total - foi investido para divulgação dos mandatos dos próprios deputados. O segundo maior gasto foi com o item “locação de veículos automotores ou fretamento de embarcações”, R$ 7,3 milhões ou 15% do total. Caso os parlamentares não façam o uso da cota máxima em um mês, o que sobra pode ser acumulado e ser usado depois. |
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