Filipe Falcão/DP/D.A Press
Uma rápida decisão pode mudar o destino de muitas vidas. Duvida? O agricultor José Maria Beserra Monteiro, 29 anos, quase elevou as estatísticas de vítimas do acidente na BR-116, na Bahia, envolvendo uma carreta e um ônibus que transportava canavieiros do Mato Grosso do Sul para Buíque, a 485 quilômetros do Recife.
Na sexta-feira, depois de falar por telefone com a mulher e com os filhos, chegou à estação de onde sairia o transporte para levá-lo de volta à terra natal. Subiu, guardou as malas e sentou junto a dezenas de trabalhadores que voltavam para Garanhuns. O grupo, no entanto, não quis seguir viagem. Achou o ônibus velho e inseguro. José Maria estava ansioso para chegar logo em casa. Porém, sentiu-se mal. Não pensou por mais de um minuto. Desceu do ônibus, sem as malas, e esperou o próximo. Salvou a vida.
Enquanto esperava, viu seus colegas e familiares que trabalhavam no Mato Grosso do Sul chegarem à estação. Imediatamente, o novo grupo pegou o ônibus, sem fazer as mesmas observações dos usuários anteriores. Eles seguiram viagem. Vinte minutos depois, passou outro coletivo. José Maria subiu e começou a contar as horas para rever a mulher e os três filhos.
Quando passou pela divisa entre Bahia e Alagoas, tomou conhecimento do acidente trágico. Só não sabia que 33 pessoas, até então, haviam morrido na hora. Outra vítima teve morte cerebral declarada na segunda-feira. Perdeu amigos e parentes. José vive na Serra do Catimbau. É casado com Maria Soneide. Pai de Danilo, 8 anos, Suzana, 6, e José Daniel, de apenas seis meses. Este último, só teve contato por 15 dias. Logo após o nascimento do filho, ele viajou para trabalhar no corte da cana-de-açúcar. “Não tinha emprego. Achei que lá conseguiria dinheiro para cuidar da família”, disse. Recebia cerca de R$ 800 por mês. “Não gostava do trabalho. Fui porque precisava”.
O agricultor chegou ao centro de Buíque ao meio-dia do sábado. Sem os brinquedos que trazia dentro da mala para entregar aos filhos. Mas nem precisava. O maior presente era a presença dele para criar, educar e formar cidadãos. “Às vezes, acho que estou sonhando”, descreveu.
Normalidade - Após três dias de luto, a cidade começou a retomar a rotina. O comércio e as escolas reabriram. Mas permanece o sentimento de tristeza. Ontem, os corpos das últimas sete vítimas chegaram à cidade, com enterros já programados. Dois feridos receberam alta e também voltaram para casa. Outros sete seguem internados em hospitais do Recife, sem risco de morte. A SDS vai disponibilizar um espaço para que familiares recuperem os pertences dos entes mortos no acidente.
Na sexta-feira, depois de falar por telefone com a mulher e com os filhos, chegou à estação de onde sairia o transporte para levá-lo de volta à terra natal. Subiu, guardou as malas e sentou junto a dezenas de trabalhadores que voltavam para Garanhuns. O grupo, no entanto, não quis seguir viagem. Achou o ônibus velho e inseguro. José Maria estava ansioso para chegar logo em casa. Porém, sentiu-se mal. Não pensou por mais de um minuto. Desceu do ônibus, sem as malas, e esperou o próximo. Salvou a vida.
Enquanto esperava, viu seus colegas e familiares que trabalhavam no Mato Grosso do Sul chegarem à estação. Imediatamente, o novo grupo pegou o ônibus, sem fazer as mesmas observações dos usuários anteriores. Eles seguiram viagem. Vinte minutos depois, passou outro coletivo. José Maria subiu e começou a contar as horas para rever a mulher e os três filhos.
Quando passou pela divisa entre Bahia e Alagoas, tomou conhecimento do acidente trágico. Só não sabia que 33 pessoas, até então, haviam morrido na hora. Outra vítima teve morte cerebral declarada na segunda-feira. Perdeu amigos e parentes. José vive na Serra do Catimbau. É casado com Maria Soneide. Pai de Danilo, 8 anos, Suzana, 6, e José Daniel, de apenas seis meses. Este último, só teve contato por 15 dias. Logo após o nascimento do filho, ele viajou para trabalhar no corte da cana-de-açúcar. “Não tinha emprego. Achei que lá conseguiria dinheiro para cuidar da família”, disse. Recebia cerca de R$ 800 por mês. “Não gostava do trabalho. Fui porque precisava”.
O agricultor chegou ao centro de Buíque ao meio-dia do sábado. Sem os brinquedos que trazia dentro da mala para entregar aos filhos. Mas nem precisava. O maior presente era a presença dele para criar, educar e formar cidadãos. “Às vezes, acho que estou sonhando”, descreveu.
Normalidade - Após três dias de luto, a cidade começou a retomar a rotina. O comércio e as escolas reabriram. Mas permanece o sentimento de tristeza. Ontem, os corpos das últimas sete vítimas chegaram à cidade, com enterros já programados. Dois feridos receberam alta e também voltaram para casa. Outros sete seguem internados em hospitais do Recife, sem risco de morte. A SDS vai disponibilizar um espaço para que familiares recuperem os pertences dos entes mortos no acidente.
Do DIARIO DE PERNAMBUCO
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