sábado, 31 de março de 2012

Diante das câmeras, um novo João da Costa?


Diante das câmeras das principais emissoras de televisão, o discurso que o prefeito João da Costa pregou durante a coletiva arranjada de última hora nesta sexta-feira (30) não foi diferente do que ele já comentando nos últimos dias. Porém, uma mudança substancial foi percebida na postura do gestor. Com a possibilidade de estar à frente de dezenas de milhares de eleitores do Recife, o petista quis passar a impressão de que está muito mais preocupado em trabalhar para cuidar da população do que se agarrar com as brigas internas do PT.
Afinal, como bem colocou o petista, o Recife não se restringe ao universo de 33 mil filiados do PT – quantitativo de militantes aptos a votarem nas prévias de maio. A cidade beira a mais de um milhão e meio de pessoas que, votando ou não votando no atual prefeito – isso se ele vencer a eleição interna – continuarão tocando a vida normalmente. Outro ponto foi que, em caso de derrota nas urnas do Partido dos Trabalhadores, não “arredará o pé” de fazer campanha para seu adversário. João da Costa não se considera dissidente.
Apesar dos ataques da corrente CNB e da “fritura” evidenciada na tentativa de esvaziar o governo municipal com a saída de secretários ligados ao senador Humberto Costa – retirando, com isso, cena peças-chaves da gestão – o prefeito do Recife, João da Costa (PT), mostrou-se tranquilo. Enquanto a turma de Humberto bradava contra o gestor, João procurou não polemizar. Ao contrário. Fez um discurso onde ressaltou suas realizações e os avanços da gestão nestes três anos. Carimbou um por um os feitos. E admitiu que prévia é ruim para o partido, porém não é coisa de outro mundo, desde que seja conduzida de forma politizada.
Calmo, João da Costa, pouco a pouco, rebateu os questionamentos da Imprensa, ávida por dissecar uma opinião sobre o novo “tabuleiro eleitoral” que se desenha no PT do Recife com a entrada do secretário estadual de Governo, Maurício Rands, nome oficializado nesta manhã. O prefeito, dessa vez, não apelou para o lado emocional da coisa, embora quase – pela “milésima” vez – toque no assunto de seu problema de saúde, o transplante de rim em outubro de 2010.
Mas, talvez, a maior “carta na manga” do prefeito foi a tentativa de mostrar ao eleitorado do Recife que ele tem capacidade política de se articular com os partidos da Frente Popular. Para isso, arregimentou a “tropa” que invariavelmente coloca os pés em atos da Prefeitura do Recife. Apesar de pouca expressão, tinha gente das mais variadas colorações políticas, seja ela verde, vermelha, amarela e até ex-azul. Gente de peso mesmo está lá com Rands, em Boa Viagem. João da Costa quis desconstruir a ideia de que está isolado na coalizão.
Além disso, o prefeito João da Costa fez questão de ressaltar que seu governo anda antenado com a administração do governador Eduardo Campos (PSB) e colado a presidente Dilma Rousseff (PT). Eduardo, Lula e Dilma são os maiores “puxadores” de voto que qualquer candidato gostaria de ter em seu palanque.
O perigo – ou a salvação, dependendo que lado queira interpretar – é que essa postura “inquisidora” da CNB possa transformar o prefeito João da Costa no novo “mártir” da política recifense. Afinal, ser tirado da cadeira com direito legal de se reeleger, somado ao mesmo discurso que setores do partido apostam como “novidade”, pode ser o tiro pela culatra do PT. Um risco imenso que muitos petistas não estão “a fim” de correr.

Nenhum comentário: