domingo, 14 de julho de 2013

Alagoas lidera pesquisa pioneira na apicultura do Nordeste

Parceria promove o melhoramento genético de abelhas rainhas e irá aumentar a produtividade de colmeias

Myrna Vanderlei
Maceió - Abelha rainha geneticamente selecionada. Não é filme de ficção científica, a tecnologia já está sendo desenvolvida no Nordeste do país. O projeto intitulado Inseminação Artificial e Melhoramento Genético de Rainhas dos Apiários do APL Apicultura de Alagoas irá fazer do estado o pioneiro do Nordeste nessa área de pesquisa. No Brasil, apenas a Universidade de São Paulo (USP) domina experimentalmente essa técnica de inseminação, mas voltada para a produção de própolis.
Essa realidade é fruto da parceria entre a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e o Sebrae em Alagoas, que pretendem, dentro do cenário da apicultura no estado, inovar tecnologicamente o manejo profissional dos apiários, por meio da seleção e manutenção das colmeias com indivíduos de produtividade. A expectativa do projeto é incrementar em pelo menos 25% a produtividade média da colmeia. Atualmente, o Sebrae trabalha com 290 apicultores em todo o estado, que produzem anualmente uma média de 40 kg de mel por colmeia. No período de seca, esse número cai para 17 kg.
"Nosso objetivo é inserir no manejo do produtor a troca periódica de rainhas e a seleção de material genético superior em produtividade. Somente assim poderemos criar um banco de colmeias produtivas e replicar essas abelhas aprimoradas", explica Roger Beelen, professor responsável pelo projeto e coordenador do Laboratório de Abelhas do Centro de Ciências Agrárias (Ceca) da Ufal.
O professor acrescenta que, ainda este ano, deverão ser iniciados os ensaios que culminarão na inseminação instrumental do material genético selecionado, visando à criação de abelhas de linhagens genéticas superiores, atendendo às áreas específicas do setor apícola, de mel, da própolis vermelha e de pólen.
Falar em melhoramento genético de abelhas é remeter ao processo desenvolvido na Califórnia, celeiro dessa tecnologia, onde se produz uma média de 800 mil abelhas rainhas por ano. Lá, a produção tem intuito comercial para atender à indústria da polinização. No Brasil, o projeto de pesquisa em Alagoas está apto para iniciar as ações. A equipe, formada por dois estudantes de mestrado e quatro de graduação, ambos do curso de Zootecnia da Ufal, além do professor Roger, já recebeu os instrumentos de inseminação, importados da Alemanha. Também conta, inicialmente, com o envolvimento das associações de apicultores de Delmiro Gouveia (ARCA), Olho d"Água do Casado (ASPROMEL) e Piranhas (AAMP).
"O Sebrae apoia essa iniciativa em virtude da necessidade de transferência de tecnologia, da inovação junto aos apicultores. É importante lembrar que no momento em que estamos, que registra baixa produtividade de mel devido à seca, um experimento desse nível vai fazer uma grande diferença para essas comunidades", pontua Vânia Britto, gerente de Agronegócios do Sebrae em Alagoas.
Serviço:

Sebrae em Alagoas (82) 4009-1660

www.al.agenciasebrae.com.br

Central de Relacionamento Sebrae: 0800 570 0800   
Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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