Há pouco mais de seis anos, o Brasil assistiu chocado ao acidente aéreo que matou 199 pessoas no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, na noite de 17 de julho de 2007. A tragédia envolvendo um Airbus operado pela Tam continua sem que os responsáveis tenham sido julgados, o que deve acontecer em agosto, mas a irmã de duas vítimas do acidente disse, em entrevista ao SRZD, que não tem dúvidas de que os réus são culpados, além de denunciar que a companhia aérea tentou "garantir seu silêncio".
"Espero que eles sejam condenados", afirma Mariana Caltabiano, que perdeu os irmãos João e Pedro na tragédia. Ela se refere ao ex-diretor de Segurança de Voo da Tam, Marco Aurélio dos Santos, ao vice-presidente de Operações da empresa, Alberto Fajerman, e à ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu.
Caltabiano diz não ter dúvidas: "Eles são culpados, mas não são os únicos. A Tam e a Airbus também deveriam ser penalizadas". Apesar de sua convicção, ela teme que a Justiça possa falhar: "No Brasil a gente nunca sabe".
Mariana analisou por muito tempo cada detalhe do que ocorreu naquela noite de julho de 2007, e se pergunta sobre o que motivou o acidente. "De acordo com trechos da gravação da caixa preta, ficou claro que o piloto pediu autorização para pousar em Cumbica em vez de Congonhas devido ao mau tempo e à pista escorregadia. Mas não autorizaram. Por quê? A Tam queria economizar gasolina? Não queria trabalho e custos extras para transportar os passageiros de ônibus de Cumbica para Congonhas?", questiona
A irmã das vítimas conta que estudou não apenas o acidente da Tam, mas também outros casos parecidos. "Os depoimentos de profissionais acostumados a pilotar esse tipo de aeronave comprovam que eles se tornaram reféns da automação dos aviões da Airbus. Ou seja, se der um defeito no computador, eles não conseguem passar para o manual para tentar resolver o problema", critica.
Na opinião de Mariana, a Tam e a Airbus tentam se livrar da responsabilidade da tragédia. "Jogaram toda a culpa do acidente no piloto, que era experiente, mas infelizmente não está mais aqui para se defender". Ainda segundo ela, essa não foi a única estratégia utilizada pela companhia aérea para não arcar com as consequências do ocorrido.
"Recebi um documento que tentava garantir o meu silêncio", revela. "Mas eu não assinei e ainda guardo comigo". O SRZD obteve acesso ao material. Veja:
"Não recebi indenização por não ser dependente direta deles. De qualquer, forma eu não aceitaria nenhum tipo de acordo. Ninguém compra meu silêncio", afirma Mariana.
Segundo ela, a questão é muito maior do que um mero acerto financeiro: "Para mim a segurança das pessoas é muito mais importante que o dinheiro. Pena que as empresas não pensam da mesma forma".
Procurada pelo SRZD, a Tam disse que não irá se pronunciar sobre o assunto.


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