Duas das 18 pessoas que estavam no elevador da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) que despencou do 15º andar divergem na tarde desta quinta (29) divergem nas opiniões sobre o disparo do dispositivo que denuncia ultrapassagem do peso permitido. Segundo a assessoria de imprensa da PCR, a capacidade máxima permitida é de 22 pessoas ou, aproximadamente, 1.700 quilos. Sete ocupantes precisaram ser levados para unidades de saúde na capital pernambucana.
Uma servidora pública de 55 anos, que preferiu não se identificar, afirma que o mesmo operava além da capacidade máxima. O equipamento que denuncia a ultrapassagem do limite permitido teria disparado quando as últimas pessoas entraram no elevador. "Ela não sabe exatamente quantas pessoas estavam dentro, mas diz que estava muito apertado e que o dispositivo não parava de disparar. Quando o elevador saiu do 13º andar para buscar mais pessoas no 15º, desceu de vez.", conta o filho da vítima, um estudante de publicidade e propaganda, que também preferiu não se identificar.
Feridos foram atendidos no local e alguns precisaram ser encaminhados para unidades de saúde
Ainda de acordo com o estudante, de 26 anos, que já trabalhou na Prefeitura, o equipamento precisa de reparos urgentes. "Já aconteceu várias vezes de disparar (o dispositivo). Já ficou preso entre um andar e outro também. Ali precisa de uma manutenção", afirma.
Apesar do susto, a funcionária pública passa bem e não precisou de atendimento médico em hospitais. "Minha mãe chegou a se machucar no ombro e um pouco nas costas. Chegou nervosa em casa, mas graças a Deus não aconteceu nada demais".
Já o funcionário terceirizado da PCR Félix Cardoso, de 38 anos, afirma não ter escutado o disparo de alerta. "Há 15 anos que eu trabalho na prefeitura e hoje não ouvi o dispositivo disparar. Os ascensoristas têm muito cuidado com isso e inclusive barram as pessoas antes de chegar à capacidade total".
A velocidade em que o elevador despencou deixou muita gente assustada. "Estavam muitos segurando um no outro. Quando bateu lá embaixo e fez o estrondo, foi preciso pedir calma, para o ascensorista conseguir contato com o pessoal de fora", conta.
Félix decidiu ir por conta própria na Clínica de Fraturas, na área central do Recife, onde passou por exames e constatou luxações no tornozelo e na panturrilha. Após atendimento médico, foi liberado.
ESCLARECIMENTO - Segundo nota de esclarecimento divulgada pela PCR no início da noite desta quinta, a máquina parou de responder aos comandos feitos pelo ascensorista por volta das 12h, queimando todas as paradas. O freio de emergência foi acionado e a descida foi amortecida pelas molas instaladas no fosso, evitando um choque mais brusco.
A administração predial foi a responsável por equiparar a cabine ao térreo do edifício para resgatar os feridos. Funcionários da secretaria de Saúde do Recife, comandados pelo secretário da pasta, Jailson Correia, prestaram os primeiros atendimentos. A equipe contou com três médicos, sete enfermeiros e uma fisioterapeuta.
Quatro ambulâncias e duas motolâncias do Samu e outras duas ambulâncias dos Bombeiros foram ao local e também prestaram socorro. Das 18 pessoas avaliadas, 11 foram liberadas pela equipe ainda na sede da PCR. As outras sete foram removidas para unidades de saúde.
Sobre as causas do incidente, a prefeitura afirma ter acionado o Instituto de Criminalística (IC) no início da tarde para realizar a perícia e assim esclarecer as causas do acidente. Os peritos fizeram registros fotográficos no local e apurarão o caso. O elevador continuará interditado por tempo indeterminado.
FABRICANTE - A Atlas/Schindler é a empresa responsável pela fabricação, instalação e manutenção dos seis elevadores da PCR. O contrato de manutenção com o órgão está válido 2 de abril de 2014.
A prefeitura notificou a empresa para que ela preste o serviço necessário às vítimas, conforme especificado no contrato. Um relatório sobre o ocorrido também deve ser divulgado posteriormente pela fabricante.
A empresa disponibiliza a inspeção diaria para manutenções preventivas e corretivas, além de vistoriais semanais. São gastos, mensalmente, R$ 25 mil para a manutenção dos aparelhos.

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