A atriz Norma Bengell, ícone de uma era do cinema e do teatro, morreu na madrugada desta quarta-feira, aos 78 anos. A também cantora, compositora, cineasta e vedete sofria de um câncer de pulmão, descoberto há seis meses.
Norma Bengell estava internada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Rio-Laranjeiras, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Além do cinema, a atriz, cantora, compositora, cineasta e vedete se destacou na música e no teatro.
A atriz estrelou seu primeiro filme aos 23 anos em 1959, "O Homem do Sputnik", no qual interpretava uma paródia da francesa Brigitte Bardot, o primeiro de 64 longas dos quais participou. Ela estava afastada do cinema há 11 anos, desde "Banquete" (2002).
Uma das cenas mais marcantes da carreira de Norma nas telonas foi sua participação no filme "Os Cafajestes", em que exibiu o primeiro nu frontal do cinema brasileiro. O ano era 1962 e a novidade, claro, ainda era tabu. O primeiro longa em que atuou como cineasta foi "Eternamente Pagu", nos anos 80.
O primeiro disco musical de Norma Bengell foi lançado em 1959, com canções de João Gilberto e Tom Jobim. Na televisão, trabalhou em novelas como "Partido Alto" e "Sexo dos Anjos". O humorístico "Toma Lá, Dá Cá", da "TV Globo", marcou o último trabalho da atriz.
Norma Bengell também sentiu o peso de envelhecer no Brasil
A atriz Norma Bengell morreu sem uma gota do glamour que viveu no auge de sua carreira no cinema, no teatro, na música e na TV. Aos 78 anos, a estrela que brilhou nos anos 50, 60 e 70 no cinema brasileiro morreu com problemas financeiros, afundada em dívidas, sem trabalho e esquecida.
Em 2012, Norma já escrevia sua autobiografia "Coisas que Vivi", que ainda não chegou a ser lançada, em cima de uma cadeira de rodas e sem dinheiro para pagar sequer seu plano de saúde e o salário de sua acompanhante. Em 2011, ela chegou a vender quadros de sua casa na Gávea, na Zona Sul do Rio, e joias para reduzir as dívidas, segundo uma reportagem do jornal "O Globo" de 5 de abril do mesmo ano.
De acordo com a mesma reportagem, os bens e as contas bancárias de Norma Bengell foram bloqueados depois que o Ministério da Cultura e o Tribunal de Contas da União verificaram irregularidades na prestação de contas do filme "O guarani" (1996), de direção dela própria. A artista chegou a ser impedida de assinar novos trabalhos como produtora.
Na mesma época, Norma Bengell batalhava para conseguir uma pensão do governo pelo período em que ficou presa durante a Ditadura Militar. Em entrevista ao jornalista Antônio Abujamra, da "TV Cultura", em 2010, a atriz disse que foi presa várias vezes durante a década de 1970, por seu jeito politizado, e chegou a ser banida de Belo Horizonte a pauladas.
Relegada ao esquecimento e ao desvalor ao qual estão submetidos os idosos no Brasil, Norma Bengell também sentiu como é duro envelhecer no país.


Nenhum comentário:
Postar um comentário