"Boi, perdeu, chegou sua hora". Essa foi a frase dita por um policial militar antes de levar Amarildo de Souza de carro para a Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha (UPP), do dia 14 de julho, quando o auxiliar de pedreiro desapareceu. A revelação é do delegado da Divisão de Homicídios (DH), Rivaldo Barbosa, que deu detalhes sobre o inquérito que pediu a prisão de dez policiais militares por crimes de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver.
De acordo com o delegado, a frese foi dita por pelo policial Douglas Roberto Vital Machado, em frente ao bar em que Amarildo estava, na última vez em que foi visto na Rocinha antes de entrar no carro da PM. "Boi" era o apelido de Amarildo.
"Nós comprovamos o motivo pelo qual que ele [Amarildo] seria levado à sede da UPP. Seria para fornecer informações sobre drogas e armas, principalmente armas, já que a informação de que ele teria a chave do paiol de armas", disse a delegada Ellen Souto, presidente do inquérito.
UPP praticava tortura com choques elétricos
Segundo a presidente do inquérito, Ellen Souto, foram ouvidas 22 testemunhas, que relataram processos de tortura pela tropa comandada pelo Major Edson Santos, ex-comandante da UPP da Rocinha.
"Eles relatam que as torturas sofridas foram sempre com o objetivo de informações de drogas e armas. Todos contaram que foram submetidos a choques elétricos com o corpo molhado e ingeriram de cera líquida", diz a delegada.
Os dez policiais indiciados também tiveram a prisão preventiva decretada e já se apresentaram à polícia. São eles: Edson dos Santos (ex-comandante da UPP), Luiz Felipe de Medeiros, Jairo da Conceição Ribas, Douglas Roberto Vital Machado, Marlon Campos Reis, Jorge Luiz Gonçalves Coelho, Victor Vinícius Pereira da Silva, Anderson César Soares Maia, Wellington Tavares da Silva e Fábio Brasil da Rocha.

Nenhum comentário:
Postar um comentário