| Foto: Estevam Avellar/Rede Globo/divulgação |
“São números excelentes para uma editora de pequeno porte”, avalia o diretor editorial da Cepe, Ricardo Melo, “mas poderiam ser ainda mais expressivos, caso o mercado permitisse. A falta de capilaridade atrapalha. Temos um problema muito grande de distribuição. É questão logística, mesmo”. O executivo se queixa de que, na maioria das livrarias, as publicações só possuem estoque se forem classificadas como bestsellers. Caso contrário, o leitor interessado precisa fazer encomenda.
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Na semana de exibição de Amores roubados, a Livraria Cultura registrou aumento de 150% nas vendas de A emparedada da Rua Nova, em comparação à média das quatro anteriores. A procura acima do normal baixou o estoque e, por isso, uma nova encomenda foi enviada à editora.
Encalhe
A bem da verdade, a Cepe até se planejou com antecedência para driblar o problema de distribuição. Investiu R$ 1 milhão na compra de equipamentos e formação de equipe de oito pessoas para montar um núcleo de lançamentos em e-book. A emparedada da Rua Nova foi, inclusive, o primeiro título da editora a ser publicado também no formato digital. As vendas da versão digital, no entanto, revelaram-se um fiasco. Mesmo após a exibição da primeira semana da minissérie, apenas 18 unidades foram comercializadas.
Trecho
| Foto: Estevam Avellar/Rede Globo/divulgação |
Era isto justamente o que se dava com a laboriosa e honesta população do Recife na manhã de terça-feira do dia 23 de fevereiro do ano de 1864. Despertara a atenção de todos uma notícia publicada pelas folhas diárias da cidade e não raro era o grupo em que se desse pouco ou menos um diálogo idêntico a este:
– Já leu o Jornal? ou já leu o Diario?
– Já.
– E então, quem será?
– É verdade; quem será?
E esta pergunta misteriosa e enigmática, como a charada da esfinge, era pronunciada por todas as bocas e repercutia em todos os ouvidos, provocando os mais estúrdios e disparatados comentários, dando lugar às mais incongruentes dissertações e até às maiores invectivas e acusações contra as autoridades da província e do país inteiro, se o grupo ou indivíduo que orava pertencia à política adversa àquela que então empunhava as sebentas rédeas da já carcomida e estafada carroça do Estado.
O autor
Joaquim Maria Carneiro Vilela (Recife, 1846-1913) foi juiz, bibliotecário, jornalista, poeta, pintor de quadros e criador de cenários teatrais, além de escritor. Escreveu 14 romances, entre os quais o mais conhecido é A emparedada da Rua Nova, publicado em capítulos semanais no Jornal Pequeno, do Recife, entre agosto de 1909 e janeiro de 1912. O folhetim causou comoção na época, levando muita gente a acreditar que a história reproduz um drama real. Escreveu artigos, contos e crônicas, em tom ácido, provocando polêmicas com críticas que não poupavam instituições nem autoridades. Foi fundador e primeiro presidente da Academia Pernambucana de Letras, a “Casa de Carneiro Vilela”.
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