quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Passarelas sem sinalização no Recife

No Recife, equipamentos não informam altura máxima permitida


 

 O acidente que aconteceu, ontem, em uma das passarelas do Rio de Janeiro, em que, pelo menos, seis pessoas morreram e cinco ficaram feridas, serviu para abrir os olhos para os riscos que os pedestres correm ao atravessarem as passarelas, construídas para facilitar a travessia em vias de tráfego intenso. Apesar de não ter sido causado pela falta de sinalização quanto à altura, a ausência dela pode levar a acidentes graves.
Risco que os recifenses correm diariamente ao atravessar várias passarelas localizadas na Capital. Durante visitas a três equipamentos do tipo, um localizado no bairro do Pina e dois no do Curado, a Folha de Pernambuco constatou a ausência total de informações sobre a altura máxima permitida para passagem no local. Em nenhuma delas há qualquer tipo de sinalização. A falta desses cuidados chamou a atenção do caminhoneiro Paulo Correia, que trabalha no ramo há mais de 30 anos. “A primeira coisa que temos que ter é atenção no trânsito por estarmos trafegando em um veículo desse porte”, disse.
Ele, que dirige um caminhão de pouco mais de quatro metros de altura pelo Brasil e fora do País, garante que a falta de sinalização pode, sim, ser um fator causador de acidente. “Na Argentina, por exemplo, as placas indicando a existência e a altura da passarela são colocadas cerca de 200 metros antes de chegarmos aos locais”, disse o caminhoneiro. Ele afirma, ainda, que essa medida pode evitar acidentes como o que aconteceu no Rio de Janeiro. “Às vezes, estamos atrás de outro caminhão. E se a placa estiver na própria passarela, não conseguiremos ver a tempo”, pontuou. O também caminhoneiro Carlos Nascimento, de 35 anos, afirma que no Recife são raras as placas indicando a altura das passarelas. “Essa questão acaba sendo um perigo, pois sabemos quanto mede o caminhão, mas não temos noção do tamanho das passarelas”, disse.
A dona de casa Jaqueline Rodrigues, 29, mora ao lado de uma, que fica na BR-232, em frente à antiga Philips. Até o episódio do Rio, não tinha tomado consciência do risco que os dois filhos correm ao brincar em cima dela. “Agora fico preocupada em dobro: por eles caírem e pela possibilidade de um caminhão levar eles com tudo”, lamentou. Além do perigo pela ausência de sinalização, algumas passarelas do Recife são, ainda, mal cuidadas e oferecem outros tipos de risco.
É o caso do equipamento que passa por cima da BR-232, no Curado, e leva pedestres ao Hospital Metropolitano Oeste Pelópidas Silveira, que é de madeira. Como se não bastasse a fragilidade do material com que é feita, os pedestres ainda têm que se preocupar com os buracos que existem nela. “Infelizmente, não temos alternativa. Ou é isso ou é se arriscar no meio dos carros”, avaliou a doméstica Ivanete Moreira, 46. Ela, que passa por essa passarela todos os dias para ir trabalhar, diz não se sentir segura. “Meu medo é que uma dessas tábuas quebre, eu caia no meio da pista e um carro me atropele”, afirmou. 
A passarela em frente à antiga Philips, além de não oferecer proteção aos que ali transitam no local, por não ter tela, por exemplo, também dificulta o acesso dos cadeirantes. Isso se dá porque os responsáveis diminuíram a passagem para que motos não pudessem passar no local, de modo que, quem anda de cadeira de rodas, precisa de ajuda para se locomover por conta das curvas de barras de ferro.
A assessoria de comunicação de Departamento de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pela manutenção das duas passarelas do Curado, foi procurada pela Folha para prestar esclarecimentos sobre a ausência de placas nos dois locais. Mas informou que, no momento, nenhum técnico habilitado a falar sobre o assunto se encontrava à disposição.

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