terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Assassinato de Coutinho evidencia perigos da esquizofrenia não tratada

A doença afeta cerca de 0,7% da população. Especialistas criticam a falta de tratamento adequado no SUS



A morte do cineasta Eduardo Coutinho, no domingo, supostamente assassinado a facadas pelo filho que sofre de esquizofrenia, colocou a doença mais uma vez em evidência. Psiquiatras dizem que é possível controlar o transtorno mental com tratamentos à base de medicamentos e acompanhamento psiquiátrico, principalmente se a doença for verificada precocemente. Mas o Estado, que disponibiliza os remédios por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), ainda tem dificuldades para oferecer leitos e tratamento psiquiátrico aos pacientes. Cerca de 0,7% da população tem esquizofrenia, que atinge mais os homens. Os sintomas começam a aparecer entre a adolescência e a fase adulta e incluem alucinações, delírios e perda de vontade de realizar atividades diversas. Não existe cura para a doença, responsável por 25% das internações psiquiátricas, e ainda não se descobriu o que causa a enfermidade.
Em 2010, o cartunista Glauco e o filho Raoni foram mortos por tiros disparados por Carlos Eduardo Nunes, que também sofre de esquizofrenia. O quadro foi confirmado pela Justiça no ano seguinte à tragédia. Atualmente, não há leitos suficientes para internação de pacientes com surtos psicóticos, principalmente, nas grandes cidades brasileiras. O fechamento de centros de internação, mais conhecidos como grandes asilos, onde eram tratadas as pessoas com deficiência mental, muitas vezes de forma equivocada, diminuiu a quantidade de leitos específicos para surtos.

Nenhum comentário: