segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

PP tem ministério no governo Dilma, mas quer conversar com Eduardo


Deputado Eduardo da Fonte
O interesse do governador Eduardo Campos em ter o PP no seu palanque para a disputa presidencial deste ano tem chance de prosperar.

O deputado líder da bancada do partido na Câmara, o pernambucano Eduardo da Fonte, informa que o fato de a legenda compor hoje a base do governo Dilma Rousseff (PT) não significa apoio compulsório à reeleição da petista.

O PP integra, inclusive, o ministério. Responde pela pasta das Cidades, uma das mais cobiçadas.

“Apoiamos o governo federal, mas isso não quer dizer que já tenhamos fechado apoio à candidatura (de Dilma Rousseff)”, disse.

“As conversas sobre a sucessão em nível nacional ainda não foram iniciadas”, completou.

As declarações de Eduardo da Fonte revestem de importância a abertura do diálogo entre Eduardo Campos e o PP, ocorrido no início de janeiro, num jantar em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife.

No encontro, promovido pelo prefeito do município, Éttore Labanca (PSB), estiveram presentes o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), além de Eduardo da Fonte, que preside a sigla em Pernambuco.

Os dois são os dirigentes escolhidos pelo partido para tocar as negociações sobre alianças, tanto para a corrida presidencial quanto para os estados.

“As conversas sobre os palanques nos estados ocorrerão sem vínculo com a definição do apoio federal”, observou Da Fonte.

Segundo ele, o PP está livre para subir até mesmo em palanques que estejam em campo oposto à aliança que vier a ser fechada para a disputa do Planalto.

Neste sentido, o partido já dá mostras de que priorizará, sem censura, as realidades locais. Em Minas Gerais, deve ocupar a vice do candidato do PSDB ao governo do estado.

Minas, deve-se lembrar, é a terra e a mais importante base eleitoral do presidenciável tucano Aécio Neves, outro oponente da presidente Dilma Rousseff.

No Rio Grande do Sul o PP planeja lançar a candidatura da senadora Ana Amélia Lemos com apoio do PSB.

“O deputado Beto Albuquerque (PSB) deve ser nosso candidato ao Senado”, informa Eduardo da Fonte. Albuquerque é um dos comandantes da pré-campanha presidencial de Eduardo Campos.

Por sua vez, no Piauí, o PP estará ao lado do PT na disputa estadual. Vai apoiar a reeleição de Wellington Dias ao Senado e espera ter vaga na vice da aliança que respaldará a candidatura de Dilma.

Já em Pernambuco, o próprio Eduardo da Fonte teria sido convidado a compor a chapa majoritária da frente partidária liderada por Campos. O deputado, que chegou a declarar ter interesse em concorrer ao Senado, desconversa.

Acha que não é hora de amarrar nada ainda, uma vez que as definições sobre os concorrentes ao governo estão pendentes.

“Só vamos tratar dessa questão na hora adequada. Não vamos antecipar o tempo da política”, disse o deputado federal ao analisar a conjuntura eleitoral para este ano.

Dudu do PP
Além da aliança liderada pelo governador Eduardo Campos ter interesse em ter Eduardo da Fonte na chapa majoritária, o senador Armando Monteiro, pré-candidato ao governo pelo PTB, ensaia cortejos ao deputado. A alta cotação do pepista não é sem sentido. Ele tem votos:

Em 2006 (primeiro mandato): ficou em 11º lugar. Recebeu 110.061 mil votos
Em 2010 (segundo mandato): ficou em 2º lugar, triplicando a votação, que chegou a 330.520 mil votos – perdeu apenas para a ex-deputada e hoje ministra do TCU Ana Arraes.
Naquela eleição, foi votado em 183 dos 184 municípios pernambucanos (Cedro foi a exceção).
Entrou no seleto grupo dos deputados que ultrapassaram a casa dos 300 mil votos em Pernambuco, onde estão, além de Ana, o ex-governador Miguel Arraes.

PP em PE
Na Assembleia, são três deputados (José Maurício Cavalcanti, Cleiton Collins e Everaldo Cabral)
São cinco prefeitos e 105 vereadores em todo o estado
O partido ocupa a secretaria-executiva dos Esportes, com Ana Cavalcanti (ligada à Secretaria de Educação e Esportes).

Na Câmara dos Deputados
Bancada com 43 deputados. No bloco que forma com o Pros, reúne 63 parlamentares, a quarta maior bancada da Casa.

No governo federal
Ocupa o Ministério das Cidades, com Aguinaldo Ribeiro (o partido tentou mais uma pasta neste momento em que Dilma promove ajustes no primeiro escalão. Tentou a Secretaria Nacional dos Portos, que tem status de ministério, e a presidência da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf).

Governo de Minas
O partido ocupará o governo de Minas Gerais a partir de abril. O vice Alberto Pinto Coelho Júnior assume no lugar do governador Antônio Anastasia, que disputará o Senado.

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