Carrefour da Torre e Hiper de Casa Forte são interditados por cinco dias em operação de fiscalização
Diario de Pernambuco
Outros 11 supermercados de grande e médio porte do Recife já foram interditados nos últimos dois meses. Foto: Augusto Freitas/DP/D.A Press
Após alguns dias de pausa, a operação de fiscalização nos supermercados do Grande Recife, realizada pela Vigilância Sanitária, Procon-PE, Delegacia do Consumidor, Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Agência de Defesa Agropecuária (Adagro-PE) e Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-PE), voltou a interditar por cinco dias dois estabelecimentos de grande movimento, o Carrefour, localizado no bairro da Torre, e o HiperBompreço, em Casa Forte, ambos na Zona Norte.
Na manhã desta quinta-feira (8), fiscais e representantes dos órgãos envolvidos na operação constataram irregularidades semelhantes às encontradas em outros 11 supermercados de grande e médio porte fiscalizados nos últimos dois meses: alimentos impróprios para o consumo, estragados e com prazos de validade expirados, higiene precária em alguns setores, temperatura de refrigeração e conservação em desacordo com os padrões sanitários e presença de insetos (baratas e moscas), fezes (ratos e gatos) e até animais em depósitos de alimentos.
O primeiro supermercado vistoriado foi o Carrefour, um dos mais movimentados da Zona Norte. No local, entre várias falhas operacionais e sanitárias, os principais problemas encontrados foram produtos vencidos e impróprios para o consumo, infiltrações no frigorífico, fezes de roedores e gatos em um dos depósitos e presença de insetos (baratas e varejeiras) no setor de panificação da unidade, que tinha pães estragados. Além disso, frutas e hortaliças estavam impróprias para o consumo no setor de hortifrúti. Vários enlatados (principalmente pêssego) taambém apresentavam elevada oxidação (ferrugem), alguns inclusive com as embalagens já estouradas.
“As fiscalizações vêm ocorrendo e os erros se repetindo. No Carrefour, flagramos produtos vencidos misturados com alimentos prontos para o consumo. Também constatamos temperaturas de conservação erradas, mas sem comprometer totalmente os produtos. O frigorífico, por conta das infiltrações em função das chuvas, apresentou bastante umidade, o que contribui para a deteriorização dos insumos. A interdição é por cinco dias, mas o supermercado pode abrir antes se corrigir os problemas”, explicou Adeilza Ferraz, gerente de fiscalização da Vigilância Sanitária do Recife. No Carrefour, não foi informada a quantidade de produtos apreendidos.
Procurada pela reportagem do Diario, a rede Carrefour enviou uma nota oficial, através da assessoria de comunicação, informando que “atendeu prontamente às recomendações da fiscalização realizada na manhã desta quinta-feira (8)”. O documento diz ainda que “a empresa tomará todas as providências necessárias para reforçar os procedimentos de segurança alimentar que já fazem parte do padrão de qualidade da companhia e qualquer irregularidade decorrente de uma quebra de procedimento será rigorosamente apurada e corrigida”.
No HiperBompreço de Casa Forte, os consumidores foram surpreendidos pela interdição logo após a vistoria. Segundo os fiscais do Procon-PE e Vigilância, o supermercado, que já é reincidente nas irregularidades, apresentou péssimas condições de higiene, com a presença de fezes de ratos nos fardos da carne de charque, baratas e moscas. Na câmara fria do estabelecimento, policiais da Delegacia do Consumidor flagraram uma grande quantidade de queijo e carnes (com cor esverdeada) em estado de decomposição, embaladas para a venda. Também foram encontrados produtos impróprios para o consumo na área de hortifrúti. A rede Walmart, controladora do HiperBompreço, também enviou um comunicado oficial, através da assessoria de comunicaçãoa, sobre a interdição.O grupo afirmou que "está adotando as providências necessárias para solucionar os pontos levantados pelas autoridades na sua loja de Casa Forte para que a unidade volte a funcionar o mais breve possível".
De acordo com os órgãos de fiscalização, nos dois estabelecimentos foram confiscados mais de cinco carrinhos de supermercado repletos de produtos inadequados para o consumo. Somente no HiperBompreço, cerca de 39 quilos de queijo e 90 quilos de carne foram apreendidos, pois não apresentavam condições de consumo.
Nos dois casos, as redes varejistas estão sujeitas a multas (penalidade administrativa), segundo o Procon-PE e a Vigilância Sanitária, que podem variar entre R$ 100 mil e 500 mil reais, podendo chegar até a R$ 2 milhões. Além disso, podem sofrer penalidades cíveis e criminais. Os gerentes das unidades foram levados à Delegacia do Consumidor para prestar esclarecimentos, já que incorrem nos crimes contra o consumidor e de perigo à saúde pública.
Interdições
Os últimos estabelecimentos interditados durante a operação haviam sido o Frutão e o Sttyllo, localizados no bairro de Campo Grande, Zona Norte da capital pernambucana, e o Kennedy e o Todo Dia, situados em Pexinhos, em Olinda. Com as interdições de hoje, subiu para 13 o número de supermercados interditados totalmente ou parcialmente pelos órgãos de fiscalização entre os meses de março e maio.
No Recife, até o momento as interdições ocorreram, além dos supermercados fechados hoje, nas redes Frutão e Sttyllo, Extra, da Avenida João de Barros (cinco dias), Pão de Açúcar da Avenida Rosa e Silva (interdição no setor de refeições, liberada no mesmo dia após as correções), Extrabom e Bompreço (cinco dias), em Casa Amarela, Carrefour (cinco dias), na Avenida Domingos Ferreira, em Boa Viagem, Deskontão (cinco dias), na Ceasa, no Curado, Kennedy e Leão, ambos no Cordeiro, e Kennedy e Todo Dia, em Peixinhos (Olinda).
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