quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Antigos vizinhos dos canibais querem condenação do trio



Maria Lúcia Ferreira desconfia que o trio planejava matá-la
Foto: Amanda Duarte / NE10

Do NE10

O júri do trio acusado de canibalismo teve início na manhã desta quinta-feira (13), no Fórum de Olinda, Grande Recife. Ao redor da casa 127a, na quinta etapa de Rio Doce, Olinda, onde os três acusados moraram por dois anos e onde a primeira vítima foi assassinada, o clima é de apreensão. Muitos vizinhos ainda não acreditam que os crimes aconteceram no local e confirmam o desejo que Jorge Negromonte, Bruna Cristina e Isabel Cristina sejam condenados

Maria das Graças de Albuquerque, professora aposentada, que mora há 21 no local, afirma que sempre teve medo deles. "Eles eram muito estranhos. Isabel saia com um carrinho de feira e ficava pedindo coisas nas casas, como se fosse uma esmola e eu acho que isso era para sensibilizar as pessoas, fazer a gente ter pena dela", diz. Ela também comenta que eles viviam trancados em casa e quando saíam de casa sempre andavam com calça comprida e blusa de manga longa, mesmo com o calor.

Isabel Cristina, 53 anos, conversava muito com a dona de casa Maria Lúcia Ferreira: "Ela vinha até a minha casa e eu cheguei a ir duas vezes para a dela. Eu tenho um bazar e Isabel me dizia que tinha roupa pra vender, mas quando eu ia na casa olhar, nunca via nada". A dona de casa diz que a acusada queria levá-la a um brechó distante. "Ela falava que era para eu juntar dinheiro que ela ia me levar para um lugar com roupas novas e baratas, mas eu acho que os planos dela já eram para me matar. Isabel sempre passava por aqui com uma mala grande e mostrava vidros de doces e eu sempre achei eles muito estranhos. Ela dizia que era encomenda, mas o que eu acho mesmo é que ali tinha carne de pessoas", sustenta. Quando questionada sobre o julgamento, Maria Lúcia declara: "Eu espero que eles nunca saiam da cadeia, para a justiça ser feita. Nós nem desconfiávamos, mas é muita maldade atrair pessoas para depois planejar matar".
A moradora da casa ao lado, que preferiu não se identificar, admite que está torcendo para que o trio seja condenado. Patrícia Chagas, babá que mora há 12 anos na residência atrás do local dos crimes, ressalta que todos querem que o trio pague pelo que fez. A babá também afirma que os acusados passavam o dia todo dentro de casa e escutava muitos gritos durante a noite. "Eu acho que eles disfarçavam o cheiro das pessoas com frutas, casca de laranja, abacaxi, o lixo deles só tinha isso e muitas roupas velhas", comenta.

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