terça-feira, 4 de junho de 2019

Surto de Doença de Chagas assusta em Ibimirim, já são 22 infectados

Sobe para 22 o número de infectados em surto de Chagas

Além dos pacientes com diagnóstico confirmado por exames laboratoriais, outros cinco estão sendo submetidos a tratamento por apresentarem sintomas compatíveis com a patologia

Por: Redação OP9

Entre os pacientes infectados, nove precisaram ser internados  no Hospital Oswaldo Cruz por conta dos sintomas agudos da doença. Foto: Fiocruz/Divulgação

Mais dois pacientes que participaram de um evento religioso na cidade de Ibimirim, no Sertão de Pernambuco, tiveram a confirmação laboratorial de tripanossomíase — mais conhecida como doença de Chagas — na forma aguda. Com isso, o número de infectados no surto ocorrido na cidade sobe para 22.

Além deles, outros cinco integrantes do grupo de 77 pessoas que vêm sendo acompanhadas pela Secretaria de Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) que estiveram no retiro realizado na Semana Santa também estão sendo tratados. Embora os exames da sangue não tenham detectado a presença do protozoário, eles apresentaram sintomas sugestivos da doença e estão tomando o medicamento benzonidazol.

Até agora, 62 pessoas dos 77 participantes do evento foram submetidas a exames. O monitoramento é feito pelo Laboratório Central de Pernambuco (Lacen-PE), no Recife, e pelo Laboratório da VI Gerência Regional de Saúde (Geres), com  sede em Arcoverde. Entre os pacientes infectados, nove precisaram ser internados  no Hospital Oswaldo Cruz (Huoc), no Recife, por conta dos sintomas agudos da doença.

Seis deles ainda permanecem na unidade recebendo cuidados especializados. De acordo com a unidade, os quadros dos pacientes são estáveis. Os demais estão sendo medicados e monitorados em casa e passam bem. A SES informou que também está realizando uma busca ativa de casos suspeitos em conjunto com as equipes da Regional de Saúde e do município de Ibimirim.

Investigações seguem para tentar identificar forma de contágio

Até o momento, não há evidências para definição da forma de transmissão da doença, mas uma das principais suspeitas, pelas características do surto, é de que o contágio tenha ocorrida pela via oral. Autoridades sanitárias fizeram visitas ao local do evento religioso às casas do entorno (localizadas em um raio de 150 metros), mas não foram barbeiros nem vestígios do inseto. Como parte da investigação, também estão sendo visitados os locais que forneceram alimentação para o evento.

Caso não seja adequadamente tratada, a doença de Chagas pode se tornar crônica. De cada 10 pacientes infectados, três desenvolvem problemas cardíacos, digestivos ou neurológicos. Os efeitos da doença na forma crônica, porém, costumam ocorrer de 20 a 40 anos depois da contaminação, que muitas vezes nem é percebida pelo paciente.

Doença de Chagas

A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanossoma cruzi, cujo vetor é o mosquito barbeiro. A forma mais clássica de transmissão ocorre pela contaminação do local da picada do inseto pelas fezes dele. Outra forma, que costuma provocar surtos bem delimitados e com sintomas agudos como o ocorrido em Ibimirim, é por meio de alimentos contaminados por fragmentos do vetor ou por suas fezes. Também é possível ocorrer transmissão pela transfusão sanguínea e de mãe para filho durante a gestação.

Além de febre com duração de uma semana, também podem surgir outros sintomas logo após a infecção:

Edema de face ou de membros;


Exantema (manchas vermelhas na pele);


Adenomegalia ( inchaço de gânglios);


Hepatomegalia (inflamação do fígado);


Esplenomegalia (inflamação no baço);


Cardiopatia aguda;


Manifestações hemorrágicas, icterícia, náusea, astenia (perda ou diminuição de força física);


Mialgia (dor nas articulações), sinal de Romanã (edema inflamatório nas pálpebras) ou chagoma de inoculação (edema inflamatório na pele).


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