quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Nova mancha de 55 km pode mostrar origem do óleo no NE


Imagens de satélite levantam hipótese de que chegada de grande quantidade de petróleo à costa nordestina pode ter sido causada por grande vazamento em minas de exploração abaixo do oceano e pode ser oriundo da região do Pré-Sal

outubro 30, 2019 às 10:17 - Por: Redação OP9

O registro mostra um enorme vazamento de óleo, em formato meia lua, com 55 km de extensão e 6 km de largura, a uma distância de 54 km da costa do Nordeste, no sul da Bahia, nas proximidades dos municípios de Itamaraju e Prado. Foto: Lapis/Divulgação

O registro mostra um enorme vazamento de óleo, em formato meia lua, com 55 km de extensão e 6 km de largura, a uma distância de 54 km da costa do Nordeste, no sul da Bahia, nas proximidades dos municípios de Itamaraju e Prado. Foto: Lapis/Divulgação

O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), vinculado à Universidade Federal de Alagoas (Ufal), captou imagens de satélite que podem ser capazes de explicar a misteriosa origem das manchas de óleo no litoral nordestino. De acordo com as análises dos pesquisadores, o petróleo que tem chegado á costa, causando o maior desastre ambiental já registrado na região, pode ser oriundo de um vazamento de uma mina no subsolo oceânico. A hipótese contraria a conclusão divulgada pela Marinha de que o material vem de centros de extração na Venezuela e seria resultado de um vazamento em um navio de carga.

O registro do satélite mostra um enorme vazamento de óleo em formato meia lua, com 55 quilômetros de extensão e seis de largura, localizado a uma distância de 54 quilômetros da costa do Nordeste, no sul da Bahia, nas proximidades dos municípios de Itamaraju e Prado. A área ocupada pela da mancha de cerca de 300 km², equivale ao tamanho da cidade de Belo Horizonte.

O vazamento foi identificado pelo meteorologista, pesquisador e professor da Ufal Humberto Barbosa. “Pela primeira vez, encontramos um assinatura espacial diferenciada que mostra que a origem do vazamento pode estar ocorrendo abaixo da superfície do mar. Com isso, levantamos a hipótese de que a poluição pode ter sido causada por um grande vazamento em minas de petróleo ou, pela sua localização, pode ter ocorrido até mesmo na região do Pré-Sal”, alerta ele.

Infográfico mostra como ocorre o processo de fragmentação do óleo no mar. Foto: Lapis/Divulgação

Infográfico mostra como ocorre o processo de fragmentação do óleo no mar. Foto: Lapis/Divulgação

Humberto afirma que a descoberta precisa ser acompanhada por outros especialistas e entidades, como  a Marinha. “As imagens não são contínuas. O satélite leva seis dias para retornar para a mesma faixa e acompanhar a evolução, se há um padrão, se já foi estancado ou continua vazando”. A informação sobre a detecção da mancha foi divulgada em primeira mão pelo Letras Ambientais, plataforma de comunicação dedicada à produção de conteúdo ambiental e sobre sustentabilidade.

Pesquisador defende maior monitoramento do oceano

Humberto já havia encontrado, em análises de imagens registradas nos últimos 60 dias, manchas menores de óleo no mar, a partir de imagens de satélite. Mas como as fotografias feitas anteriormente pelo satélite mostravam o piche já fragmentado, não havia como identificar o padrão nem a origem do vazamento. As imagens foram analisadas retroativamente, desde maio, com dados captados desde a costa do Nordeste brasileiro até o estado do Espírito Santo.

“Essas imagens mostram pequenas quantidades de óleo espalhadas pelo oceano, motivo por que o Brasil precisa estabelecer um monitoramento mais consistente do oceano. Mas a quantidade de petróleo identificada na imagem próximo à costa da Bahia é de uma enorme extensão”, explica Barbosa. Pela localização do óleo, o vazamento aparenta ser bem maior do que um mero derramamento acidental ou proposital de um navio. Pelas conclusões preliminares do pesquisador, trata-se de um vazamento abaixo da superfície do mar, consequência de perfuração de um poço no subsolo do oceano.

A descoberta do Lapis aconteceu na segunda-feira (28). Na manhã de ontem, o laboratório comunicou à Comissão do Senado, responsável pelo acompanhamento da poluição por óleo no Nordeste, a detecção realizada a partir de imagens de satélites.

Marinha nega se tratar de óleo

Em nota enviada à imprensa, a Marinha do Brasil declarou que a mancha não é composta por óleo. Segundo a corporação, foram feitas quatro avaliações diferentes para confirmar que o material não é o mesmo que vem aparecendo nas praias do Nordeste. Leia abaixo a nota na íntegra:

“Em relação à possível mancha que estaria avançando pelo mar da Bahia, informamos que não se trata de óleo. Foram feitas quatro avaliações para confirmar: consulta aos especialistas da ITOF, monitoramento aéreo e por navios na região e por meio de satélite.

É importante frisar que a gravidade, a extensão e o ineditismo desse crime ambiental exigem constante avaliação da estrutura e dos recursos materiais e humanos empregados, no tempo e quantitativo que for necessário”.

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