segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Caso Aldeia: filho mais novo pede condenação de Jussara por homicídio de Denirson


 (Foto: Leandro de Santana/Esp.DP.)
Foto: Leandro de Santana/Esp.DP.
O julgamento da farmacêutica Jussara Rodrigues, de 54 anos, começou nesta segunda-feira (4), às 9h, no Fórum Desembargador Agenor Ferreira de Lima, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife (RMR). Ela é acusada de ter matado o próprio marido, o cardiologista Denirson Paes, em maio de 2018. O juri deve durar pelo menos quatro dias. O filho mais novo do casal, Daniel Paes, chegou ao Fórum acompanhado da namorada. Pela primeira vez, ele falou com a imprensa e pediu justiça."Só espero que eles sejam condenados e que a justiça seja feita", comentou se referido ao irmão mais velho, o engenheiro Danilo Paes, 23 anos, que também é réu, mas responde em liberdade pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Sobre a memória que tem do pai, ele disse que o considera um exemplo a ser seguido. "Estou aqui pelo meu pai. Tudo o que faço na vida é me espelhando nele. Ele é meu grande exemplo", comentou emocionado.

O pai de Denirson, o aposentado Francisco Ferreira da Silva, não acompanha o julgamento por recomendações médicas. O julgamento ocorre na 1ª Vara Criminal de Camaragibe e é presidido pela juíza Marília Falcone. O Conselho de Sentença é formado por cinco mulheres e dois homens. O Ministério Público arrolou a oitiva de cinco testemunhas de acusação em plenário. Entre as pessoas que serão ouvidas estão os peritos criminais Fernando Henrique Leal Benevides, Diogo Henrique Leal de Oliveira Costa, o policial civil, Arlan Dourado Gomes da Silva, Daniel Paes, e a empregada doméstica Josefa da Conceição dos Santos.

Um dos argumentos usados pelo advogado de defesa, Rafael Nunes, é de que Jussara agiu em legítima defesa. "Jussara tem que pagar pelo que fez. Ela ocultou o cadáver, mas agiu em legítima defesa porque poderia estar na estatística de feminicídio. Ele batia neta, obrigava a ter relação sexual, era dissimulado, não falava com Jussara. Não podemos admitir violência doméstica", comentou.

Uma das testemunha ouvidas, Josefa dos Santos, que trabalhava na casa da família, em Aldeia, na época do crime, contou que nunca presenciou agressão ou brigas entre o casal. “É difícil estar aqui. Vim por ele [Daniel]. Quero justiça pelo meu patrão. Nunca vi violência da parte dele. Ela que era sempre agressiva e exigente. Ele era tranquilo. Confio em Deus e na justiça da terra”, comentou . Atualmente ela está morando com Daniel, no bairro de Boa Viagem e diz que o adotou como filho.

O assistente de acusação, Carlos André Dantas, afirmou que não existem provas de que Denirson agredia Jussara. "Isso não ficou comprado. Esse fundamento não tem um conjunto de provas. Eles alegam uma queixa feita em 2015 de uma provável violência doméstica, mas não ficou comprovado. A própria testemunha amiga de Jussara disse em juízo que não houve agressão. Ele era um excelente pai, um médico muito bem conceituado e morreu de uma forma brutal e injusta", defende.

Jussara Rodrigues está presa na Colônia Penal Feminina Bom Pastor, no Engenho do Meio, desde o dia 5 de julho. Já o outro filho do casal, Danilo Paes, responde pelo crime em liberdade desde o último mês de julho e aguarda decisão da justiça se irá a júri popular.

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