
O presidente do STF, Dias Toffoli, durante uma coletiva de imprensa sobre medidas para combater o coronavírus. Brasília, 18 de abril de 2020.
Foto: Wagner Pires/Estadão ConteúdoO Supremo Tribunal Federal consultou o núcleo de generais que cercam o presidente Jair Bolsonaro para saberem a real intenção do presidente de participar de um ato que tinha como umas das defesas o fechamento da corte e do Congresso Nacional.
A conversa ocorreu entre o presidente do STF, Dias Toffoli, e os ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, e da Secretaria de Governo, general Luiz Ramos. O tom da fala de Toffoli foi no sentido de entender o significado da ida do presidente a um ato que tinha por objeto a intervenção militar e o fechamento do Congresso e do STF. Também disse haver “ambiguidade” nas falas presidenciais e que era preciso deixar claro seus objetivos para evitar uma sensação permanente de que a democracia brasileira corre risco.
Eles se reuniram com Bolsonaro após o episódio neste domingo no Palácio da Alvorada para uma reunião de conjuntura políticas. Garantem que ela já estava prevista antes da polêmica participação do presidente nos atos.
O encontro serviu para tratarem de assuntos diversos. Ramos falou da articulação política, o ministro da Casa Civil, general Braga Neto, da coordenação do governo no combate à pandemia. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, também participou. Os ministros também trataram da transição no Ministério da Saúde e, claro, dos episódios do dia. Foi avaliada a grande reação de parlamentares, dirigentes partidários, do Judiciários, de governadores e órgãos de entidades civis ao gesto do presidente, o que ajudou a motivar sua manifestação na manhã desta segunda-feira.
Segundo generais da ativa com quem a CNN conversou nesta segunda-feira, a posição do Exército é a de não ser confundido com uma instituição de governo. A associação com a instituição causou desconforto, mas há a leitura de que qualquer ruptura institucional não está no radar das Forças Armadas, O comandante do Exército, Edson Pujol, não se manifestará sobre o episódio.
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