quinta-feira, 18 de março de 2021

Marcelo Queiroga promete “seguir a ciência” e promover “grande diálogo nacional"


Futuro ministro da Saúde afirmou que Bolsonaro lhe deu autonomia para montar sua equipe

Por Fabio Murakawa, Valor — Brasília


Indicado para o cargo de ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga disse nesta quinta-feira que tentará construir "um grande diálogo nacional" com Estados, municípios e a sociedade civil sobre o combate à covid-19. Ele afirmou que o presidente Jair Bolsonaro lhe deu autonomia para montar sua equipe e, questionado sobre o que fará de diferente de seu antecessor, respondeu que "o diferente é seguir a ciência".

Queiroga deu as declarações a jornalistas ao chegar ao Palácio do Planalto para reunir-se com Bolsonaro. Ele foi chamado para substituir o general Eduardo Pazuello, em data ainda não definida, no momento em que o Brasil atravessa seu momento mais grave da pandemia, com recorde de mortes, colapso no sistema hospitalar e falta de vacinas para imunizar a população.

"Vou me reunir com o presidente. Estamos muito empenhados em reverter a situação complexa na saúde pública aqui no Brasil", afirmou.

Jair Bolsonaro e Marcelo Queiroga — Foto: Reprodução Instagram
Jair Bolsonaro e Marcelo Queiroga — Foto: Reprodução Instagram

"O presidente já me determinou que tomasse medidas, sobretudo no diálogo amplo com secretários de saúde, secretários estaduais e municipais e com a sociedade civil de uma maneira global", disse. "E vocês [jornalistas] são parte importante. Vão nos ajudar a construir um grande diálogo nacional. Quando eu tomar posse, nós vamos conversar amplamente e vocês vão poder me questionar, perguntar sobre as medidas que serão colocadas em prática."

Segundo Queiroga, essas "são todas medidas que já têm sido divulgadas de maneira reiterada pela ciência". "Vai dar tudo certo. Conto com vocês", disse.

Questionado sobre o número recorde de mortes por covid-19 no Brasil, ele afirmou que é preciso "criar as condições para melhorar a assistência hospitalar, sobretudo, mais UTIs [Unidades de Terapia Intensiva]". O cenário é de emergência de saúde pública internacional, com a peculiaridade de que no Brasil há "um ambiente com variantes do vírus", afirmou.

Queiroga comemorou o fato de haver uma campanha de vacinação sendo implementada no país, com perspectiva de ampliação. Mas reconheceu que a vacina não resolve o problema de curto prazo. Como solução, defendeu uma "política de distanciamento social inteligente" e a melhora da assistência nas UTIs.

"A vacina, como sabemos, não vai resolver a curto prazo esses óbitos. O que resolve? Política de distanciamento social inteligente e melhorar a qualidade de assistência nas unidades de terapia intensiva", disse.

O futuro ministro afirmou ainda que o governo não reduzirá os trágicos números "por mágica".

"Governo nenhum tem uma vara de condão para resolver todos os problemas. Existe a ciência do nosso lado, existe a necessidade de implementação de protocolos assistenciais para qualificar os nossos recursos humanos pra buscar resultados melhores", disse. "É uma situação complexa e que precisamos nos empenhar para vencer o inimigo comum, que é o vírus."

Quando questionado sobre o que pode ser feito de diferente pelo governo, respondeu: "Já está sendo feito. O diferente é seguir as recomendações da ciência". "O presidente escolheu um médico para o ministério. Um médico que é oriundo de uma sociedade científica da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que foi sempre que protagonizou a medicina baseada em evidência."

Queiroga pediu "paciência" aos jornalistas para montar a sua equipe e trazer "medidas adicionais" para tirar o país da fase aguda da pandemia. "O presidente me deu autonomia para montar minha equipe. E eu peço a vocês um pouco de paciência para que, num curto prazo, nós consigamos trazer medidas adicionais às que tem sido colocadas em prática pra que esse cenário melhore", disse.

O futuro ministro disse que sua posse ainda não foi marcada por Bolsonaro, "por que é necessário questões documentais".

"Não há dois ministros da saúde. Ministro da Saúde é Eduardo Pazuello", afirmou. "O presidente já me indicou. O presidente vai publicar no Diário Oficial. Existem trâmites legais. Existe serviço público. Tem que seguir as regras da lei. É o presidente que define isso."

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