quarta-feira, 28 de junho de 2023

BANDA FULÔ DE MANDACARU LEVA CALOTE DA PREFEITURA DE MACEIÓ

Banda Fulô de Mandacaru leva calote no São João de Maceió (AL)
integrantes da Fulô de Mandacaru divulgaram nas redes sociais dois vídeos falando sobre o caso.
integrantes da Fulô de Mandacaru divulgaram nas redes sociais dois vídeos falando sobre o caso.
Da redação do blog — Um novo episódio de desrespeito ao forró mancha a tradição das festas juninas do Nordeste. A prefeitura de Maceió (AL) fez um verdadeiro “papelão” com a banda Fulô de Mandacaru, que tinha sido contratada por R$ 100 mil para fazer um show na noite de terça-feira (27), durante os festejos da cidade. No fim das contas, os pernambucanos ficaram sem tocar, não conseguiram contato com os organizadores nem com a gestão do prefeito João Henrique Caldas (JHC) e ainda levaram um calote, sem ver, até agora, a cor do dinheiro.

Decepcionados, os integrantes da Fulô de Mandacaru divulgaram nas redes sociais dois vídeos, nos quais relatam o que aconteceu. Desde o início, com um aviso “fora de hora” sobre a alteração no “horário do show”, até a saída da cidade, sem nenhum pedido de desculpas.
No primeiro vídeo, Armandinho do Acordeon conta que tudo começou quando a banda já estava em Maceió para a apresentação de terça-feira. Na mesma noite, tocariam Wesley Safadão e Zezé Di Camargo. A banda foi informada que deveria fazer ajuste de som, das 17h às 18h, e se apresentar, de fato, das 20h às 21h. Pouco antes, no entanto, os forrozeiros foram informados, sem nenhuma explicação, que tudo tinha mudado. “Passaram o show para a madrugada. Seria às 4 da manhã”, declarou sanfoneiro e vocalista, no vídeo.

Diante dessa informação, o músico disse que os empresários tentaram fazer contato com a empresa organizadora e com a prefeitura, mas não tiveram resposta. “Era para ser um dia de alegria e virou dia de tristeza. De desrespeito com os fãs e com o forró e com as tradições”, declarou.

Os músicos lamentaram a alteração repentina e disseram que fãs que saíram de outras cidades foram prejudicados. “Mais um episódio contra o forró. Gostaríamos de uma resposta da prefeitura. Também da CPA produções. Aguardamos com toda a equipe, de forma educada. Não desse jeito, dessa forma”, disse. Armandinho disse que não se curvaria a essa situação e pediu desculpas aos fãs da Fulô de Mandacaru. “O São João tem que ter forró. Não vamos nos calar, nem que nossa vida seja ceifada, vamos defender a nossa cultura. Viva o São João e viva o forró”, declarou.




No segundo vídeo, gravado nesta quarta-feira (28), a banda disse que continuava esperando a resposta. “Sem nenhuma satisfação. Era contrato para show de uma hora e vinte minutos. Ninguém cumpriu nada”, disse. Nas imagens, o músico ressaltou que cumpriu a parte do contrato e rasgou o papel assinado com a produção do São João de Maceió. “Contrato só serve para quem tem palavra. Caso contrário, não serve de nada. A luta continua”, afirmou Armandinho.

Ao fazer o desabafo, o músico da Fulô de Mandacaru lembrou de outro episódio recente envolvendo o
 desrespeito a ícones da tradição do forró no São João Nordestino.

Ele falou sobre o caso de Flávio José, paraibano que foi obrigado a reduzir a apresentação em Campina Grande (PB) para dar o palco a Gusttavo Lima. O fato provocou grande reação entre músicos e defensores do ritmo regional.

“Com a Lei Luiz Gonzaga, isso não vai mais acontecer”, afirmou Armandinho do Acordeon, fazendo referência a uma proposta que tramita no Congresso Nacional. A ideia do deputado pernambucano Fernando Rodolfo é assegurar que 80% das verbas públicas de festas juninas sejam destinadas à contratação de artistas, bandas e expressões ligadas ao forró e à cultura regional.

Espera-se que casos como o ocorrido com a Fulô de Mandacaru e Flávio José sejam evitados no futuro, garantindo assim o respeito e a valorização do forró e das tradições culturais do Nordeste. Os artistas continuam firmes na defesa de suas raízes musicais e na luta por uma maior valorização do forró nas festas juninas.

Via Ricardo Antunes 

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