quarta-feira, 21 de agosto de 2024

ARIANO VAI PARA O LIVRO PANTEÃO DE HERÓIS E HEROÍNAS DE PERNAMBUCO

Na última terça-feira (20), a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realizou uma homenagem que reforça o valor de uma das mais emblemáticas figuras da cultura brasileira. Em uma decisão unânime, os deputados estaduais aprovaram a inscrição de Ariano Suassuna no Livro do Panteão dos Heróis e das Heroínas de Pernambuco – Fernando Santa Cruz, um reconhecimento proposto pelo deputado Sileno Guedes (PSB) por meio do Projeto de Resolução 2004/2024. Este livro, que perpetua os nomes de pessoas cuja obra tenha contribuído para a formação da identidade pernambucana, a defesa dos direitos humanos, e a luta por democracia e justiça social, agora contará com o nome do renomado escritor, dramaturgo e poeta.

Ariano Suassuna, falecido em 2014 no Recife, deixou um legado imensurável, não apenas para a cultura, mas também para a sociedade brasileira como um todo. Sua obra, marcada pela crítica social e pela valorização das expressões culturais nordestinas, continua a inspirar milhões de pernambucanos e brasileiros, sendo uma das mais importantes referências da identidade cultural do Nordeste. O deputado Sileno Guedes, ao justificar o projeto, destacou a importância de Suassuna para o Estado e para o país, ressaltando sua contribuição inegável em diversas áreas, incluindo a política. A proposta foi bem acolhida pelos colegas parlamentares, que reconheceram a justiça da homenagem e aprovaram a inscrição sem qualquer oposição.

Ariano Suassuna nasceu em João Pessoa, em 1927, mas foi em Pernambuco que sua obra e sua vida política se consolidaram. Autor de clássicos como "Auto da Compadecida" (1955) e "Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta" (1971), Suassuna também foi fundador do Teatro Popular do Nordeste, em 1959, ao lado de Hermilo Borba Filho, e do Movimento Armorial, em 1970, que buscava promover e valorizar as manifestações culturais populares nordestinas. Sua importância no cenário literário e cultural foi reconhecida com sua eleição para a cadeira 18 da Academia Pernambucana de Letras em 1993, e para a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras em 1990.

Além de sua vasta produção literária, Ariano Suassuna teve uma atuação significativa na administração pública. Foi secretário de Educação e Cultura do Recife entre 1975 e 1978, secretário de Cultura de Pernambuco em dois mandatos (de 1994 a 1998 e de 2007 a 2010), e secretário da Assessoria Especial do governador Eduardo Campos, de 2011 até sua morte. Sua ligação com o Partido Socialista Brasileiro (PSB), ao qual era filiado desde 1990, o levou a ser nomeado presidente de honra do partido em 2011, um reconhecimento de sua influência e prestígio dentro da agremiação.

Com a inscrição no Livro do Panteão dos Heróis e das Heroínas de Pernambuco, Ariano Suassuna se junta a outras personalidades de grande relevância histórica para o Estado e para o Brasil. Recentemente, o ex-governador Eduardo Campos, que também faleceu em 2014, teve seu nome adicionado ao Panteão, seguido de outras figuras como o ex-governador Miguel Arraes, a revolucionária Bárbara de Alencar, o militar e político Gregório Bezerra, o ex-arcebispo de Olinda e Recife Dom Helder Camara, e o músico Dominguinhos.

Esta honraria reflete o profundo respeito e admiração que Ariano Suassuna conquistou em vida e que se mantém vivo na memória dos pernambucanos. Sua obra, marcada pela defesa das tradições populares e pela crítica social, continua a influenciar gerações, reafirmando sua posição como um dos grandes nomes da cultura brasileira. A inclusão de seu nome no Livro do Panteão dos Heróis e das Heroínas de Pernambuco é um tributo mais do que merecido a um homem que dedicou sua vida a enriquecer a cultura, a política e a identidade do Nordeste e do Brasil.

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