Nos rincões de Pernambuco, alguns municípios já conhecem seus futuros governantes antes mesmo das urnas serem abertas. Em localidades como Caetés, Dormentes e Solidão, o cenário político para as eleições municipais de 6 de outubro revela um fenômeno incomum: a ausência total de oposição. Com apenas um candidato à prefeitura em cada cidade, a vitória nas urnas é uma mera formalidade para os políticos que já gozam do apoio unânime dos vereadores e lideranças locais.
Em Caetés, no agreste pernambucano, o atual prefeito Nivaldo Tiriri, filiado ao Republicanos, caminha para a reeleição sem enfrentar qualquer adversário. O município, conhecido por ser o berço do presidente Lula, conta com uma população de 28.827 habitantes e uma administração que, segundo o presidente estadual do Republicanos, Samuel Andrade, desfruta de uma aprovação tão alta que inviabiliza a formação de uma oposição significativa. A falta de concorrência reflete a força consolidada de Tiriri, que ao longo de seu mandato conseguiu neutralizar qualquer tentativa de contestação política.
Solidão, uma pequena cidade sertaneja com 5.300 habitantes, também testemunha um cenário semelhante. O atual prefeito Djalma Alves, do PSB, prestes a encerrar seu mandato, deixa como legado uma gestão elogiada, sobretudo pelos avanços em saúde e educação. Sob sua liderança, Solidão alcançou o oitavo lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) a nível estadual, um feito notável para um município de seu porte. Esse desempenho contribuiu para que o candidato à sucessão, Mayco da Farmácia, igualmente do PSB, não encontrasse adversários dispostos a enfrentá-lo nas urnas. A perspectiva de continuidade de uma gestão bem avaliada afastou qualquer tentativa de oposição, consolidando a hegemonia política no município.
Dormentes, outra cidade sertaneja com 16.043 habitantes, vive um ciclo virtuoso de liderança feminina. A atual prefeita, Josimara Cavalcanti, reeleita há quatro anos, pavimentou o caminho para sua sucessora, Corrinha de Geomarco, que também concorre pelo PSB, agora com o apoio do MDB. A chapa é completada por Jurandir Torres, indicado como vice pelo MDB, reforçando a aliança entre os dois partidos que, mesmo com a inversão de posições, mantém a gestão municipal sob comando feminino. O apoio unânime dos vereadores à candidatura de Corrinha reflete não apenas a continuidade de uma gestão bem-sucedida, mas também a ausência de recursos e lideranças opositoras capazes de desafiar o status quo.
O fenômeno da candidatura única, entretanto, não se restringe apenas à popularidade dos gestores atuais. Nos bastidores da Assembleia Legislativa de Pernambuco, a falta de recursos é apontada como um fator determinante para a inexistência de oposição em municípios como Caetés, Dormentes e Solidão. A reeleição, que permite aos prefeitos governarem por oito anos, fortalece suas estruturas de poder, dificultando o surgimento de candidaturas adversárias. Vereadores de oposição, temerosos de enfrentar a máquina municipal sem os recursos necessários, acabam por aderir à base governista, evitando o desgaste político e financeiro que uma campanha infrutífera poderia causar. Um parlamentar, sob condição de anonimato, ressalta a dificuldade em encontrar lideranças dispostas a enfrentar esse desafio, sabendo-se incapazes de superar o poder estabelecido pelas administrações atuais.
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