Na tarde desta terça-feira (27), em entrevista ao g1, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), abordou um dos temas mais sensíveis e debatidos no cenário urbano atual: a segurança pública. Como parte de sua estratégia de reeleição, o candidato anunciou planos para armar a Guarda Municipal da capital pernambucana, associando essa medida ao uso de câmeras corporais, conhecidas como bodycams, para monitoramento constante das ações dos agentes.
João Campos enfatizou que o armamento da Guarda Municipal será realizado de forma gradual e controlada, destacando que não acredita que o porte de armas seja a solução definitiva para os desafios da segurança pública. O processo, segundo ele, começará com o treinamento rigoroso dos guardas, especialmente do Grupo Tático Operacional (GTO) da Guarda Municipal, que será o primeiro a ser armado. O treinamento, que terá a duração mínima de seis meses, será um requisito fundamental antes que os agentes possam portar armas. Esse período de preparação visa garantir que os guardas estejam plenamente capacitados para lidar com a responsabilidade que envolve o uso de armamento.
O prefeito também esclareceu a função específica da Guarda Municipal, reforçando que seu papel principal é a proteção patrimonial. Segundo João Campos, é fundamental que a população entenda essa distinção, para evitar confusões sobre as atribuições da Guarda Municipal em relação às polícias Civil e Militar. Ele ressaltou que o poder de polícia, incluindo o uso da força para manutenção da ordem, é uma prerrogativa das polícias Civil e Militar, e que a Guarda Municipal tem um papel complementar, focado na preservação do patrimônio público e na segurança cidadã.
Essa proposta de armar a Guarda Municipal e implementar as câmeras corporais surge em um contexto onde a segurança pública é uma das principais preocupações dos recifenses. O uso de bodycams, como destacou João Campos, é visto como uma medida para aumentar a transparência e a accountability dos agentes, garantindo que suas ações sejam constantemente monitoradas e avaliadas. Esse mecanismo é considerado por especialistas como uma ferramenta eficaz para reduzir abusos e assegurar que os protocolos de segurança sejam seguidos à risca.
O prefeito, em sua fala, também demonstrou preocupação em comunicar claramente à população as intenções e os limites dessa medida. Ele frisou que o foco é evitar qualquer tipo de confusão sobre as funções da Guarda Municipal e as das polícias estaduais, deixando claro que o objetivo é complementar as ações de segurança, especialmente em áreas que demandam uma presença mais ostensiva.
João Campos, com essa proposta, alinha-se a uma tendência observada em várias cidades do país, onde o debate sobre o armamento das guardas municipais tem ganhado força, especialmente diante do aumento das demandas por segurança urbana. No entanto, o prefeito destacou que o processo será realizado de forma pontual, com sistemas de controle rigorosos e foco no treinamento, para que a implementação dessa medida ocorra de maneira segura e responsável. A proposta reflete uma tentativa de equilibrar a necessidade de segurança com a responsabilidade social, em um cenário onde as soluções para a criminalidade urbana ainda são amplamente debatidas e dividem opiniões.
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