sexta-feira, 22 de novembro de 2024

ESTRADAS BRASILEIRAS ENTRE AS PIORES DO MUNDO

A malha rodoviária brasileira segue sendo um desafio ao desenvolvimento e à segurança do País, com resultados alarmantes apresentados pela mais recente pesquisa “CNT Rodovias 2024”. Os dados expostos pela Confederação Nacional do Transporte revelam que, em um universo de 111.853 quilômetros de rodovias pavimentadas analisadas, incluindo 67.835 km de trechos federais e 44.018 km de estaduais, 1 em cada 4 rodovias foi considerada ruim ou péssima. Essa realidade impacta diretamente a segurança viária, comprometendo a integridade de motoristas e passageiros que cruzam o Brasil diariamente. 

A análise, que se tornou referência ao longo de seus 28 anos de existência, avalia os aspectos de pavimentação, sinalização e geometria das vias. No estudo deste ano, o estado geral de menos de 8% das estradas foi classificado como ótimo. Esse dado, além de repetir o baixo percentual histórico, reflete uma piora em relação ao ano anterior, quando a pesquisa já havia sinalizado a fragilidade da infraestrutura rodoviária nacional. O levantamento evidencia que a maioria das rodovias se enquadra em condições regulares, ruins ou péssimas, perpetuando um cenário de descaso e ineficiência.  

As condições precárias das estradas não apenas dificultam o transporte de pessoas e mercadorias, mas também intensificam a crise de segurança no trânsito. O Brasil, que já amarga o número de mais de 33 mil mortes anuais no trânsito, tem em suas rodovias o palco de grande parte desses incidentes. Curvas perigosas, ausência de sinalização clara e buracos são apenas alguns dos elementos que tornam as viagens não apenas incômodas, mas também arriscadas. 
A persistência desses problemas ao longo de quase três décadas de monitoramento da CNT levanta questões urgentes sobre a priorização de investimentos e a eficiência de políticas públicas voltadas à infraestrutura de transportes. A pesquisa revela não apenas as falhas de manutenção e modernização, mas também um impacto estrutural na economia e no cotidiano de milhares de brasileiros que dependem das rodovias para sobreviver e se deslocar. 

Enquanto o País segue travado em discussões sobre a ampliação da malha rodoviária e a adoção de modelos mais sustentáveis de transporte, a realidade imposta pelas estradas reflete o peso de decisões adiadas e investimentos insuficientes. Com mais um relatório confirmando o atraso, o desafio da recuperação das rodovias brasileiras permanece como uma ferida aberta no caminho do progresso nacional. 

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