São quilômetros de tubulação, com 93% já implantados, que se estendem a partir de Belo Jardim. Restam agora cerca de 4 quilômetros para concluir esse elo vital, incluindo uma travessia sobre o Rio Ipojuca, onde a engenharia precisou ir além do convencional. A solução, uma estrutura metálica de 112 metros, sustentada por blocos de concreto armado, reflete os desafios técnicos e a ambição do projeto. Não é apenas a instalação de tubos, mas a criação de um sistema que integra dispositivos como ventosas e descargas, essenciais para garantir a segurança e a eficiência da operação.
Desde a retomada da obra em junho, sob a gestão da governadora Raquel Lyra, os trabalhos ganharam novo ritmo. A travessia sobre o Ipojuca é uma demonstração da complexidade envolvida. A decisão por uma estrutura aérea, além de facilitar a manutenção futura, foi determinada pela profundidade e extensão do rio, que inviabilizaram a passagem subterrânea. A previsão é que essa etapa específica esteja pronta até fevereiro de 2025, enquanto a conclusão total do trecho deve ocorrer em junho do mesmo ano.
A Compesa, que coordena o projeto, enxerga na conclusão desse sistema mais que uma obra de infraestrutura. É a possibilidade de aliviar a carga de um rodízio que, em Brejo da Madre de Deus, alterna seis dias com água e cinco dias sem, e em São Bento do Una chega ao extremo de três dias com água e 25 dias sem. As águas do Velho Chico, que já percorrem outros municípios do Agreste, carregam em seu fluxo a promessa de dias melhores para essa população tão carente de segurança hídrica.
Com a finalização do Sistema Adutor, a paisagem do Agreste não será apenas de campos sedentos, mas de comunidades revitalizadas. Para aqueles que há anos convivem com torneiras secas e caminhões-pipa, a chegada da água será mais que um alívio: será um recomeço.
Nenhum comentário:
Postar um comentário