A Assembleia Legislativa de Pernambuco foi palco de um embate político intenso nesta segunda-feira (2), quando o deputado estadual Francismar Pontes, do PSB, superou Gustavo Gouveia, do Solidariedade, na disputa pela primeira secretaria da Mesa Diretora. A vitória, que veio no segundo turno, foi conquistada com 26 votos, enquanto Gouveia alcançou 19. Dois parlamentares anularam seus votos, e um votou em branco. A votação, marcada por articulações de bastidores e reviravoltas de última hora, atraiu atenção pelos apoios divergentes e pela estratégia silenciosa de Francismar.
Romero Sales Filho, do União Brasil, que havia sido eleito terceiro secretário da Mesa Diretora, não esteve presente no segundo turno. Com isso, a eleição transcorreu com a presença de apenas 48 parlamentares. O resultado do primeiro turno já havia apontado o favoritismo de Francismar, que conquistou 22 votos contra 20 de Gouveia, mas o socialista precisou buscar mais apoios para alcançar a maioria absoluta de 25 votos exigida para uma vitória inicial.
As articulações nos bastidores foram decisivas para a consolidação da candidatura de Francismar Pontes. Nos dias que antecederam a votação, houve uma movimentação intensa de alianças e promessas, envolvendo lideranças de partidos como PT, PSDB, Solidariedade, MDB, PSOL, Republicanos, PL e União Brasil. Apesar disso, o socialista minimizou as demonstrações públicas de apoio aos adversários, destacando que o voto secreto permitiu que sua estratégia silenciosa prevalecesse. Ele ressaltou que a aparência de alianças nem sempre reflete as intenções reais dos parlamentares. Para Francismar, o segredo do sucesso esteve na confiança em uma articulação que não dependia de promessas públicas, mas de uma rede de apoios consolidada longe dos holofotes.
O líder da bancada do PP, deputado Kaio Maniçoba, foi um dos principais aliados de Francismar na disputa. Ele destacou que a reta final da campanha foi essencial para garantir a vitória. Nos últimos dias, encontros e visitas estratégicas intensificaram o apoio ao socialista. Segundo Maniçoba, enquanto Francismar mobilizava parlamentares, Gouveia enfrentava dificuldades em conquistar votos. Isso, somado ao fortalecimento da campanha de Francismar, inclinou a balança em favor do socialista.
Sileno Guedes, líder do PSB na Alepe, defendeu a legitimidade das escolhas individuais dos parlamentares durante o processo eleitoral. Para Guedes, o voto secreto permite que cada deputado exerça sua autonomia, sem que isso seja considerado uma quebra de compromisso. Ele pontuou que a escolha dos representantes para a Mesa Diretora envolve uma análise profunda das competências e da confiança, mais do que simples alinhamentos partidários ou promessas feitas antes do pleito.
A disputa pela primeira secretaria, único cargo da Mesa Diretora a levar a uma votação de segundo turno, expôs as dinâmicas complexas e os desafios do jogo político na Alepe. O resultado reflete não apenas a capacidade de articulação de Francismar Pontes, mas também as peculiaridades do cenário político estadual, onde as alianças são fluidas e os resultados nem sempre seguem as previsões iniciais.
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