Na manhã desta quarta-feira, Arcoverde foi palco de um anúncio que abalou as estruturas da administração pública municipal. Em uma coletiva de imprensa marcada pela transparência e preocupação, o prefeito Zeca Cavalcanti apresentou números e fatos que revelam um rombo financeiro de proporções alarmantes, ultrapassando 18 milhões de reais. Este cenário desolador, apontado como herança da gestão do ex-prefeito Wellington Maciel, expõe problemas estruturais que transcendem a esfera financeira, comprometendo a funcionalidade e o atendimento de serviços básicos à população.
De acordo com os dados apresentados, a dívida com fornecedores é a mais expressiva, alcançando a marca de 8,7 milhões de reais. Desses, 4,5 milhões pertencem à Prefeitura, enquanto 3,1 milhões estão vinculados à Secretaria de Saúde, 851 mil à Educação e 230 mil à Assistência Social. No caso da AESA, uma das áreas mais sensíveis para a população, o débito chega a 3,8 milhões de reais referentes a bolsas de estudo que não foram pagas, deixando estudantes e famílias em situação de incerteza.
A previdência municipal também enfrenta um colapso financeiro. A gestão anterior deixou de pagar benefícios de dezembro para os aposentados, acumulando uma dívida de 2 milhões de reais. Somam-se a isso débitos previdenciários vencidos em novembro e dezembro, no valor de 1 milhão e 1,3 milhão de reais, respectivamente, além de precatórios que totalizam 1,6 milhão. Este panorama levou Arcoverde a ser incluída no CAUC e no Cadin, registros restritivos que funcionam como o "SPC dos municípios". Um dos impactos mais imediatos foi a perda de uma emenda parlamentar no valor de 1 milhão de reais, destinada pelo deputado federal Fernando Monteiro, um aliado da gestão anterior.
Além dos números, a gestão de Zeca Cavalcanti trouxe à tona situações que ilustram o estado de abandono em que o município foi encontrado. O Parque Verde Ruy de Barros Correia, por exemplo, teve suas obras embargadas pela Ferrovia Transnordestina, mas a determinação foi ignorada pela gestão passada, resultando em um boletim de ocorrência policial. Na Secretaria de Saúde, a precariedade é evidente: dos 25 veículos disponíveis, apenas seis estão em condições de uso, enquanto o restante foi considerado inservível. Outro episódio grave ocorreu na Unidade Básica de Saúde da Família da Vila São José, onde todo o estoque de vacinas foi perdido por falta de armazenamento adequado, comprometendo campanhas de imunização essenciais.
A precariedade não se limita às finanças e à infraestrutura. Aluguéis de 11 prédios utilizados para programas sociais estão atrasados, e alguns equipamentos públicos tiveram os serviços de água e energia cortados. A população, que já enfrenta as dificuldades de um município marcado por desigualdades, agora se depara com a necessidade de aguardar pela reorganização administrativa prometida pela atual gestão.
Zeca Cavalcanti reconheceu o desafio colossal que tem pela frente, mas afirmou estar comprometido em realizar as entregas prometidas durante a campanha, mesmo diante da situação crítica. Ele destacou que o apoio da população será crucial nesse momento de reconstrução. A ausência de Célia, aliada de longa data e figura respeitada na cidade, foi sentida durante a coletiva. Em Recife, onde realiza tratamento contra um câncer, ela já havia alertado sobre o "buraco" financeiro deixado pela administração anterior, prevendo que seria uma barreira a mais para a nova gestão.
Até o momento, o ex-prefeito Wellington Maciel não se manifestou sobre as acusações e os números apresentados. Seu silêncio contrasta com a gravidade das informações divulgadas, ampliando as incertezas e a indignação da população, que agora espera por respostas e soluções concretas para um futuro mais estável e próspero em Arcoverde.
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