A tensão entre os poderes marcou a retomada dos trabalhos na Assembleia Legislativa de Pernambuco nesta segunda-feira. O presidente da Casa, deputado Álvaro Porto, fez um pronunciamento incisivo, condenando a postura do Executivo durante o processo de formação das comissões permanentes. O tom adotado pelo parlamentar reforçou a insatisfação com o que classificou como tentativas de interferência do governo estadual, gerando reações nos bastidores políticos.
A fala de Porto expôs movimentações que, segundo ele, partiram da Casa Civil e tiveram a participação direta da vice-governadora, além de assessores do governo. O deputado relatou que emissários do Palácio do Campo das Princesas estiveram na Assembleia, atuando para protocolar mudanças em blocos partidários, o que foi visto como uma ação para influenciar a organização interna do Legislativo. O episódio provocou desconforto e questionamentos sobre o respeito à autonomia da Alepe.
No plenário, o presidente da Assembleia reforçou a insatisfação com a condução do governo em relação ao Legislativo. O parlamentar afirmou que integrantes do Executivo chegaram a acompanhar reuniões internas, o que qualificou como uma atitude truculenta e inapropriada. O discurso enfatizou a necessidade de preservar a independência da Casa, garantindo que o Parlamento mantenha sua autonomia na condução dos trabalhos legislativos.
Outro ponto abordado no pronunciamento foi a elaboração de uma carta de repúdio contra decisões da Alepe, documento que, segundo Porto, foi articulado nos bastidores do governo e enviado ao presidente em exercício, deputado Rodrigo Farias. O gesto foi interpretado como uma tentativa de pressão sobre os parlamentares, no sentido de limitar a soberania da Assembleia. Apesar das investidas, o presidente elogiou a postura de Rodrigo Farias, destacando sua firmeza na condução do processo.
Porto relatou ainda que a tentativa de interferência do Executivo não se limitou à disputa pelas comissões. De acordo com ele, deputados foram chamados à Casa Civil para receber propostas que envolviam cargos e benefícios em troca de apoio político. O parlamentar destacou que esse tipo de oferta, na prática, raramente se concretiza, gerando desconfiança e distanciamento entre os poderes. A fala reforçou o posicionamento da Alepe em defesa da sua independência, reafirmando o compromisso com a fiscalização do Executivo.
Mesmo diante do embate, o presidente da Alepe declarou que a Casa considera o episódio superado. O foco, segundo ele, está no andamento do ano legislativo, com a apreciação das matérias dentro dos prazos regimentais. A declaração sinaliza a intenção de manter a normalidade dos trabalhos e de evitar que os atritos interfiram no ritmo das atividades.
O encerramento do pronunciamento marcou a transição para um novo momento no Legislativo estadual. Porto reforçou que a Assembleia seguirá com sua atuação voltada ao interesse da população pernambucana, garantindo que cada projeto enviado pelo Executivo será analisado com seriedade e responsabilidade. A mensagem final deixou claro que a Casa não abrirá mão de sua prerrogativa de legislar com independência, preservando a institucionalidade do Parlamento.
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