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quarta-feira, 9 de abril de 2025

FALA MACHISTA E ANTI-ÉTICA DE JÚNIOR MATUTO NA TRIBUNA DA ALEPE DEVE RENDER MUITO AINDA "ELE TEM CUNHÃO ROXO E PINTA PRETA"

Durante a reunião plenária da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), realizada nesta terça-feira (8), o deputado estadual Júnior Matuto (PSB) protagonizou um momento polêmico ao usar uma expressão considerada machista para elogiar o presidente da Casa, Álvaro Porto (PSDB). A declaração foi feita enquanto Matuto defendia a importância do projeto de lei que visa eliminar a cláusula de barreira em concursos públicos da área de segurança do estado. A proposta, que pretende acabar com o limite de candidatos aprovados para as próximas fases desses certames, é defendida por parte dos parlamentares como um avanço na democratização do acesso aos cargos públicos. No entanto, o projeto não foi votado por falta de quórum, já que apenas 19 dos 49 deputados estavam presentes, enquanto o mínimo exigido é de 25. A ausência de parlamentares, especialmente da base governista, foi criticada por Matuto, que acusou o Palácio do Campo das Princesas de articular o esvaziamento da sessão para impedir a apreciação da matéria.

Ao enaltecer o presidente da Alepe por ter mantido o projeto em pauta, mesmo diante da ausência de quórum, Júnior Matuto utilizou a frase: "Quero dizer a vocês que aqui nós temos um presidente que tem um cunhão roxo e a pinta preta. Ele tem raça". A declaração foi aplaudida por pessoas que acompanhavam a sessão, mas também repercutiu negativamente. Nas redes sociais e entre outros parlamentares, a fala foi interpretada como uma demonstração de machismo e desrespeito à liturgia do parlamento. O caso ganhou repercussão nacional após ser divulgado pelo jornalista José Matheus Santos, da Folha de S.Paulo. Em resposta, Matuto divulgou uma nota afirmando que a expressão é uma frase popular do sertão do Seridó, região onde foi criado, e que não teve intenção de ofender. Segundo ele, sua fala buscava exaltar a "integridade e firmeza" de Álvaro Porto, diante da resistência deste às pressões do governo estadual. A nota também destaca que o uso da expressão foi um gesto de reconhecimento à conduta do presidente da Alepe, que prometeu recolocar o projeto em pauta na quarta-feira (9).

Álvaro Porto, por sua vez, não quis se pronunciar sobre o episódio e solicitou que a frase fosse retirada dos anais da Assembleia. A líder do governo na Alepe, deputada Socorro Pimentel (União Brasil), lamentou a postura de Júnior Matuto, afirmando que o ambiente parlamentar exige seriedade e respeito mútuo, independentemente das divergências políticas. Procurado, o governo de Pernambuco não se manifestou sobre o ocorrido. O episódio amplia as tensões entre o Legislativo estadual e o Executivo, em um momento em que o projeto de lei divide opiniões e expõe disputas internas na Casa. O projeto, se aprovado, pode beneficiar milhares de candidatos que prestaram concursos para a segurança pública e que hoje estão fora do cadastro de reserva, por conta das cláusulas de barreira. A expectativa é de que a discussão continue movimentando os debates no plenário nos próximos dias.

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