segunda-feira, 30 de junho de 2025

ATO DE BOLSONARO FOI O COM MENOR PÚBLICO ATÉ AGORA

Sob o mote “Justiça já”, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou à Avenida Paulista neste domingo (29), em São Paulo, para liderar mais um ato político em defesa dos aliados condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Apesar do tom de enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal (STF) e críticas abertas ao governo Lula, o evento teve o menor público registrado em manifestações bolsonaristas desde o fim de seu mandato, em dezembro de 2022. Segundo levantamento do Monitor do Debate Público no Meio Digital, da Universidade de São Paulo (USP), cerca de 12,4 mil pessoas estiveram presentes — número muito inferior ao registrado em protestos anteriores liderados por Bolsonaro.

Durante o ato, o ex-presidente centrou seu discurso em ataques ao STF e na estratégia de recuperar influência política por meio do Congresso Nacional. “Se vocês me derem, por ocasião das eleições do ano que vem, 50% da Câmara e 50% do Senado, eu mudo o destino do Brasil”, afirmou, em tom desafiador. “Não interessa onde eu esteja. Aqui ou no além, quem estiver na liderança (do Congresso) vai mandar mais que o presidente da República”, declarou, sugerindo que, mesmo inelegível até 2030, seu grupo pode se manter no centro das decisões do país.

Bolsonaro, que é réu no Supremo Tribunal Federal e alvo de investigações por tentativa de golpe de Estado, tem buscado rearticular sua base política mirando o pleito de 2026. Para isso, aposta na eleição de aliados com vistas a compor uma maioria no Senado que, em tese, poderia avançar até mesmo com pedidos de impeachment contra ministros do STF — especialmente Alexandre de Moraes, relator das ações sobre os atos antidemocráticos de 2023. Esse movimento evidencia uma estratégia de pressão institucional em meio ao avanço dos processos judiciais contra ele.

A manifestação, que teve a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, incluiu pedidos explícitos de anistia aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes. “A gente está aqui para pedir anistia e pacificação”, disse Tarcísio, tentando suavizar o tom do ato, ainda que em consonância com as bandeiras do bolsonarismo. A retórica pacificadora, no entanto, contrastava com cartazes, falas e palavras de ordem que atacavam diretamente o Supremo Tribunal Federal e exaltavam a possibilidade de retaliação institucional por meio da eleição de parlamentares fiéis ao ex-presidente.

Apesar do visível esvaziamento, Bolsonaro preferiu ignorar a baixa adesão e manteve o tom de provocação à oposição. “Faço um desafio à esquerda de colocar nas ruas um terço da quantidade de gente que nós colocamos”, disse, tentando minimizar a queda expressiva de público. A comparação com atos anteriores evidencia essa tendência: em fevereiro de 2024, mais de 185 mil pessoas passaram pela Avenida Paulista em um protesto semelhante; em abril, o número caiu para 44,9 mil; agora, não passou de 12,4 mil, segundo os dados do monitor da USP.

O recuo na mobilização não impede Bolsonaro de tentar manter o controle narrativo sobre a direita no Brasil. A manifestação de domingo serviu também como palanque simbólico para fortalecer sua imagem junto ao núcleo duro de apoiadores, mesmo diante de crescentes dificuldades jurídicas e políticas. Enquanto tenta evitar a prisão e reverter sua inelegibilidade, o ex-presidente age nos bastidores para montar uma bancada forte no Congresso, com o objetivo de influenciar os rumos do país, mesmo fora do Planalto. A Avenida Paulista, embora menos cheia, segue como palco central dessa tentativa de manter o bolsonarismo vivo e combativo no imaginário popular e no jogo institucional.

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