O ex-deputado federal Daniel Coelho está de volta à gestão estadual. Após ter comandado a Secretaria de Turismo e Lazer no primeiro ano do governo Raquel Lyra (PSD), ele assume agora uma nova e estratégica missão: comandar a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha. A nomeação ocorre em meio a uma minirreforma administrativa com forte conotação política, promovida por Raquel para reorganizar áreas sensíveis de sua equipe e melhorar o desempenho da máquina pública. Daniel chega para substituir Ana Luiza Ferreira, que, embora deixe o posto, deverá continuar contribuindo com o governo em outra função, ainda não divulgada oficialmente.
A entrada de Daniel na secretaria é interpretada como um movimento com múltiplas camadas. Além de buscar mais eficiência em uma pasta que trata de temas centrais, como mudanças climáticas, licenciamento ambiental, preservação de Noronha e políticas sustentáveis, a escolha reforça o peso político da gestão no contexto de um cenário cada vez mais voltado para 2026. O nome de Daniel Coelho, com trânsito em diversas correntes políticas e bom desempenho em gestões anteriores, é visto como peça-chave para oxigenar o governo e ampliar interlocuções com setores da sociedade civil, empresariado e ambientalistas. O movimento também acontece num momento em que Noronha tem se tornado foco de polêmicas nacionais, com pressão por parte do governo federal e de entidades ambientais sobre as decisões tomadas no arquipélago.
A aposta em Daniel também sinaliza um retorno à cena política com força, após seu período mais discreto longe dos holofotes desde que deixou a Secretaria de Turismo. Agora, num posto de maior visibilidade técnica e política, o ex-parlamentar terá a missão de construir pontes com diferentes atores, além de alinhar o discurso do governo Raquel com pautas ambientais contemporâneas e demandas internacionais, sobretudo nas tratativas envolvendo Noronha. Ele encontrará desafios complexos, como o avanço do desmatamento em áreas críticas, disputas sobre licenciamento de grandes projetos e o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ecológica.
Internamente, a escolha também atende a um critério de confiança e afinidade com a governadora, que já testou Daniel em outra função e conhece sua capacidade de articulação. Em um momento em que a administração precisa se afirmar como alternativa ao PSB, que hoje comanda a Prefeitura do Recife e segue forte em diversas regiões do estado, a movimentação representa mais que uma mudança de nome em uma pasta: é parte de uma engrenagem política mais ampla, cujo objetivo é preparar o terreno para uma possível disputa com João Campos nas urnas estaduais em 2026. A reforma, embora pontual, aponta para ajustes em áreas consideradas estratégicas e é vista como um reconhecimento de que, em certos pontos, a engrenagem administrativa não tem funcionado como esperado.
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