quinta-feira, 28 de agosto de 2025

PESQUEIRA CRESCE EM NÚMEROS, MAS ENCOLHE EM OPORTUNIDADES, SEGURANÇA E INFRAESTRUTURA


Pesqueira, no Agreste pernambucano, registrou crescimento populacional nos últimos dois anos, passando de 62.722 habitantes em 2022 para 65.408 em 2024, segundo estimativas do IBGE. Mas o aumento de moradores não reflete progresso real. A cidade enfrenta décadas de estagnação econômica, fechamento de indústrias, falta de empregos e uma infraestrutura precária que compromete o dia a dia da população. Enquanto municípios vizinhos como Arcoverde, Belo Jardim, Sanharó e até Alagoinha avançam em geração de renda e serviços, Pesqueira parece ter parado no tempo.

O turismo ecológico nas serras do Ororubá e Mimoso e pequenas melhorias na infraestrutura são insuficientes diante do abandono crônico de ruas, praças e estradas. Os eventos tradicionais, que antes movimentavam a cidade, como o São João e festas culturais, foram abandonados ou deixaram de existir, refletindo a decadência do município. Rodovias esburacadas, pontos de drogas, exploração sexual, caos na saúde pública e uma educação vergonhosa reforçam o retrato de uma cidade incapaz de atender a sua população.

O desemprego é elevado, e oportunidades formais são quase inexistentes. Trabalhadores que insistem em sobreviver como ambulantes ou mototaxistas enfrentam perseguição e restrições arbitrárias, mostrando a falta de políticas públicas consistentes e a hostilidade às pequenas formas de renda. Ao mesmo tempo, a criminalidade cresce de forma preocupante: assaltos, furtos e violência urbana tornaram-se parte da rotina, enquanto a sensação de insegurança afasta jovens, profissionais e investimentos.

O crescimento populacional de cerca de 2.686 habitantes em dois anos é mais um dado estatístico do que sinal de prosperidade. Pesqueira cresce em números, mas encolhe em oportunidades, segurança, infraestrutura e qualidade de vida. Enquanto cidades vizinhas consolidam polos industriais, serviços modernos e políticas de segurança eficazes, a cidade continua em retrocesso, sem emprego, renda ou proteção adequada para seus moradores.

O retrato é alarmante: uma população crescente que vive em um município estagnado, com serviços básicos precários, violência crescente, perseguição aos trabalhadores informais e abandono de tradições culturais. Pesqueira parece uma cidade esquecida, onde o crescimento demográfico não se traduz em desenvolvimento econômico, social ou humano. O futuro depende de mudanças estruturais urgentes; sem elas, continuará crescendo apenas na contagem de habitantes, enquanto sua qualidade de vida e oportunidades se deterioram.


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