ELEIÇÃO PARA DEPUTADO ESTADUAL: O JOGO NÃO TEM SURPRESAS
As eleições para deputado estadual em Pernambuco, historicamente, não costumam apresentar grandes surpresas. O processo é resultado de planejamento, forte investimento financeiro e, sobretudo, articulação política. A pré-campanha é o terreno onde se costuram alianças, se garantem apoios regionais e se monta a estrutura que levará o candidato ao êxito. Nesse cenário, os nomes de César Ramos, Bruno Marques, Tercio Teles, Regina da Saúde e Vinicius Castelo despontam como praticamente certos para ocupar cadeiras na próxima legislatura da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Vamos aqui ver NA LUPA.
O MITO DO VOTO ESPONTÂNEO
Ainda persiste no imaginário popular a ideia de que a eleição se define pela “vontade espontânea do povo”. Nada mais distante da realidade. O eleitor participa, mas o resultado segue uma lógica de poder já consolidada: redes de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças locais que organizam e transferem votos. A sorte, quando aparece, é exceção. O que prevalece é a matemática da política, uma ciência que mistura estatísticas, recall eleitoral e a capacidade de articulação em cada município.
CÉSAR RAMOS: A HERANÇA DE IGARASSU
Filho da prefeita de Igarassu, Elcione Ramos, César traz no DNA a política tradicional. Herdeiro de um clã com presença consolidada na região metropolitana norte, César carrega não apenas o peso do nome, mas também a máquina política que sua mãe comanda. Isso lhe assegura capilaridade, votos e, principalmente, a confiança de aliados que enxergam nele a continuidade de um projeto político já enraizado.
BRUNO MARQUES: PETROLÂNDIA EXPORTA MAIS UM NOME
Na região do Sertão de Itaparica, o nome de Bruno Marques soa cada vez mais forte. Filho do atual prefeito de Petrolândia, Fabiano Marques, ele chega à disputa com estrutura, apoio municipal e uma rede de lideranças que se estende por várias cidades vizinhas. Bruno representa a força da política sertaneja que, apoiada em prefeituras e alianças, tem garantido espaço em todas as eleições para a Alepe. Seu caminho é praticamente pavimentado.
TERCIO TELES: ARTICULAÇÃO E DISCRIÇÃO
EFICAZ
EFICAZ
Entre os estreantes, Tercio Teles, Advogado e Militar da Reserva. Ex-candidato a prefeito do Recife. Possuo recall e se destaca pela articulação nos bastidores. Sem o mesmo apelo midiático de outros nomes, Tercio é conhecido pela capacidade de construir alianças sólidas e silenciosas. Sua estratégia de visitar cidades, dialogar com lideranças e formar coligações municipais tem mostrado resultados consistentes. Na política, muitas vezes, o trabalho discreto é mais eficiente do que os holofotes. Na atualidade ele percorre os 185 municípios de Pernambuco apontando os problemas de cada lugar e fazendo vídeos nas localidades.
REGINA DA SAÚDE: A FORÇA DE ITAÍBA
Com dois mandatos de prefeita em Itaíba, Regina da Saúde deixou a marca de gestora popular e eficiente. Conseguiu eleger seu sucessor, Pedro Pilota, que hoje é seu principal aliado e multiplicador de apoios. Essa rede municipal, somada ao prestígio que mantém no agreste, coloca Regina como uma das candidatas com maior potencial de votação proporcional. Sua trajetória demonstra que, no interior, ex-prefeitos com gestão consolidada têm enorme vantagem.
VINICIUS CASTELO: O RECALL DE OLINDA E O APOIO DO RECIFE
Diferente dos demais, Vinicius Castelo não tem prefeitura no colo, mas conta com outros trunfos poderosos. Ex-vereador de Olinda, quase se elegeu prefeito em 2024 e manteve recall expressivo junto ao eleitorado. Além disso, conquistou o apoio declarado de João Campos, prefeito do Recife e liderança em franca ascensão no cenário estadual. Esse respaldo amplia seu alcance e lhe dá musculatura para se posicionar como candidato competitivo na região metropolitana.
A TROCA DE CADEIRAS NA ALEPE É INEVITÁVEL
A chegada desses estreantes significa, inevitavelmente, a saída de alguns veteranos. Pelo menos quatro atuais deputados estaduais não conseguirão se reeleger. É a matemática do poder: novos nomes com estrutura, apoio e recall político ocupam o espaço daqueles que não renovaram suas bases. O eleitor pode acreditar em surpresas, mas o jogo é previsível — quem cumpre os requisitos se elege, quem não cumpre fica pelo caminho. A política não é exata como a matemática, mas se apoia nela para definir o destino de cada cadeira no legislativo. É isso aí.
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