segunda-feira, 15 de setembro de 2025

PAIS PODEM SER A CARTADA DECISIVA NA DISPUTA ELEITORAL DE VITÓRIA DE SANTO ANTÃO

Vitória de Santo Antão, cidade de 134.084 habitantes segundo o IBGE, transformou-se em um caso peculiar dentro do tabuleiro político pernambucano. Diferente de municípios maiores como Petrolina e Caruaru, a cidade consegue manter três representantes na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Atualmente, os nomes que ocupam este espaço são Joaquim Lira, do PV, Aglailson Victor, do PSB, e Henrique Queiroz Filho, do PP. A força de Vitória, que sempre se destacou pela tradição política, é resultado direto da influência de famílias tradicionais como Lira, Queralvares e Queiroz, que, ao longo dos anos, ampliaram seus domínios também para cidades vizinhas, garantindo musculatura eleitoral.

Esse equilíbrio, no entanto, caminha para uma quebra. O prefeito Paulo Roberto Arruda, do MDB, decidiu investir no projeto político do filho, Túlio Arruda, que deve disputar uma vaga de deputado estadual em 2026. O gesto, aparentemente natural, abalou a antiga aliança que o gestor mantinha com o grupo Lira. A decisão acendeu alertas e movimentou de forma intensa os bastidores, gerando um cenário de ebulição dentro da política local.

Nesse novo arranjo, as famílias que já estão representadas na Alepe estudam reforçar suas candidaturas estaduais com o peso de nomes experientes no cenário federal. A possibilidade de a ex-primeira-dama Cristiane Queralvares, mãe de Aglailson Victor, e do ex-prefeito Elias Lira, pai de Joaquim, entrarem na disputa por cadeiras em Brasília ganha força. Se confirmada, a estratégia cria uma espécie de blindagem em torno dos filhos, consolidando dobradinhas que não apenas ampliam o alcance eleitoral, mas também minam as possibilidades de crescimento de Iza Arruda, filha do prefeito e irmã de Túlio, que já ocupa o cargo de deputada federal e deve caminhar em sintonia com o irmão na busca por votos.

O cálculo político tem implicações diretas. Normalmente, os deputados estaduais se utilizam de suas bases para realizar trocas de apoio com candidatos federais de outros municípios, ampliando seus horizontes fora das fronteiras de suas cidades de origem. Entretanto, com a entrada dos pais de Joaquim e Aglailson no processo, essa prática pode ser limitada. A tendência natural é que os votos de Vitória fiquem ainda mais fechados em torno dos arranjos familiares, retirando espaço para alianças externas e reforçando o confronto direto com o grupo Arruda.

Enquanto isso, o terceiro nome da equação, Henrique Queiroz Filho, se encontra em posição distinta. Seu pai, Henrique Queiroz, um dos políticos mais longevos do estado, que esteve na Alepe por dez mandatos consecutivos, hoje governa o município de Buenos Aires, eleito em 2024. A dedicação ao cargo de prefeito torna improvável qualquer mudança de rota para ajudar diretamente na campanha do filho em Vitória. No entanto, os aliados de Henrique avaliam que esse “desfalque” pode ser compensado com uma presença consolidada em Buenos Aires, garantindo uma rede de votos capaz de equilibrar a disputa.

A disputa eleitoral em Vitória de Santo Antão, que já carregava o peso da tradição, ganha assim um ingrediente novo: a entrada direta dos pais no jogo, transformando a eleição de 2026 em um embate que ultrapassa gerações e que promete redefinir o peso das famílias tradicionais da cidade no cenário político de Pernambuco.


Informações do Blog Dellas 

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