sexta-feira, 3 de outubro de 2025

CONTA DE LUZ TERÁ REDUÇÃO EM OUTUBRO, MAS ESPECIALISTAS ALERTAM PARA NECESSIDADE DE ECONOMIZAR

A conta de energia elétrica dos brasileiros terá um alívio em outubro com a mudança da bandeira tarifária definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O órgão anunciou a aplicação da bandeira vermelha patamar 1, o que representa um adicional de R$ 4,46 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Até setembro, vigorava a bandeira vermelha patamar 2, bem mais cara, que acrescentava R$ 7,87 a cada 100 kWh. A alteração traz um pequeno fôlego para os consumidores, mas especialistas lembram que o impacto no orçamento familiar ainda é significativo e reforçam a importância de hábitos de economia.

Segundo o professor Ahmed El Khatib, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), a redução não deve ser motivo para descuido. Ele explica que, para uma família média, a fatura de energia representa uma fatia considerável das despesas mensais e pode comprometer o planejamento financeiro. “Adotar medidas de eficiência energética é fundamental não apenas para reduzir gastos, mas também para contribuir com a sustentabilidade do setor elétrico”, destacou o financista.

Entre os principais vilões da conta de luz estão eletrodomésticos de uso diário, especialmente os mais antigos, que consomem mais energia do que os modelos modernos e eficientes. O ar-condicionado, por exemplo, pode gerar um gasto mensal superior a R$ 160,00 quando utilizado por oito horas diárias em um aparelho de 12.000 BTUs. Já o chuveiro elétrico, com uso de 15 minutos por dia, pode adicionar cerca de R$ 63,00 à conta no fim do mês. A geladeira, que funciona 24 horas, pode consumir até R$ 95,00 mensais em versões antigas, enquanto modelos atuais reduzem esse valor para menos da metade. Até mesmo aparelhos menores, como ferro de passar e carregadores de celular deixados na tomada, impactam o valor final.

A iluminação também é outro ponto de atenção. Substituir lâmpadas incandescentes ou fluorescentes antigas por LEDs pode gerar uma economia de até 80% no gasto com energia. Em uma residência com 10 lâmpadas ligadas cinco horas por dia, a diferença chega a R$ 72,00 de economia mensal apenas com essa mudança simples. Além disso, manter o hábito de desligar luzes ao sair de um ambiente e aproveitar ao máximo a iluminação natural também ajuda no bolso.

O especialista ainda reforça que banhos mais curtos e o uso consciente do ar-condicionado fazem grande diferença. Ajustar a temperatura para 23°C e manter portas e janelas fechadas são medidas que reduzem o desperdício. Outro cuidado importante é retirar aparelhos da tomada quando não estão em uso, evitando o consumo em stand by, que pode representar até 12% da fatura mensal.

O modelo de bandeiras tarifárias, criado em 2015, também é lembrado como uma forma de dar mais transparência ao consumidor. Antes dele, os custos extras de geração de energia eram repassados apenas nos reajustes anuais, sem indicar ao usuário o valor real da eletricidade. Hoje, com a sinalização mensal, é possível adaptar o consumo de acordo com a cor da bandeira e planejar melhor os gastos. “Esse sistema é mais justo, pois permite que o consumidor saiba o preço da energia e se organize, evitando surpresas e incentivando o uso responsável”, acrescenta Khatib.

Apesar da redução na bandeira em outubro, o alerta permanece: manter a atenção ao consumo é a maneira mais eficaz de garantir contas mais baratas. Com eletrodomésticos mais eficientes, mudanças de hábito e disciplina no dia a dia, é possível economizar e ainda colaborar para um sistema elétrico mais sustentável e equilibrado no Brasil.

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