O encontro, que se estendeu por mais de três horas, contou com a presença de lideranças como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e terminou em clima de forte animosidade. Em um dos momentos mais tensos, Caiado teria chamado Sabino de “traidor”, ao que o ministro respondeu com ironia: “quando você tiver mais de 1,5% nas pesquisas, fale comigo”. Pré-candidato à Presidência da República, o governador goiano deixou a reunião sem falar com a imprensa.
Mesmo suspenso, Celso Sabino deve permanecer à frente do Ministério do Turismo até, pelo menos, o fim do ano. A decisão do União Brasil prevê um prazo de 60 dias para a conclusão do processo de expulsão — tempo suficiente para que o ministro participe da COP 30, em novembro, evento que acontecerá no Pará, seu estado de origem, e do qual é um dos anfitriões.
A situação do ministro dos Esportes, André Fufuca, é considerada menos delicada. Candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados, o parlamentar maranhense deverá apenas cumprir a suspensão partidária até a abertura da janela eleitoral de 2026, quando deve migrar para outra legenda.
Nos bastidores de Brasília, a decisão do PP e do União Brasil é vista como um recado direto ao Palácio do Planalto. Ambos os partidos se declararam oficialmente de oposição e determinaram que todos os filiados deixassem os cargos federais. Fufuca e Sabino, no entanto, optaram por manter-se nos ministérios, alegando compromisso com o presidente Lula e continuidade das políticas públicas.
Com o afastamento da vida partidária, os dois ministros perdem influência nas decisões internas de suas legendas e podem ter dificuldades em articular apoios para as próximas eleições. Celso Sabino, que sonha disputar o Senado pelo Pará, vê agora o seu projeto político ameaçado — e deve reavaliar seu futuro dentro da Esplanada e fora dela.
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