segunda-feira, 3 de novembro de 2025

COLUNA POLÍTICA | CENÁRIO ABERTO PARA 2026 | NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO

JOÃO CAMPOS JÁ ATINGIU O TOPO, ENQUANTO RAQUEL LYRA AVANÇA: CENÁRIO DE 2026 GANHA NOVA CONFIGURAÇÃO POLÍTICA EM PERNAMBUCO
CLIMA DE “JÁ GANHOU” SE DISSIPA NO PSB E PREOCUPAÇÃO CRESCE ENTRE ALIADOS

O entusiasmo que tomava conta das fileiras socialistas com a liderança folgada de João Campos nas pesquisas de intenção de voto começou a dar lugar a uma sensação de alerta e prudência. O chamado “clima de já ganhou”, comum entre os aliados do prefeito do Recife, vem perdendo força à medida que analistas políticos e estrategistas de campanha percebem que o jogo para 2026 ainda está longe de ser definido. A desincompatibilização de Campos da Prefeitura do Recife, prevista para abril, colocará fim à visibilidade diária que o cargo lhe proporciona e abrirá espaço para uma nova dinâmica eleitoral no estado.

RAQUEL LYRA GANHA TERRENO COM GESTÃO APROVADA E ENTREGAS NO INTERIOR

Enquanto João Campos será obrigado a se afastar da máquina municipal, a governadora Raquel Lyra (PSD) segue em ascensão. Com 57% de aprovação geral e números ainda mais expressivos no interior, onde alcança 62%, a gestora tem capitalizado os resultados de uma administração que começa a colher frutos concretos. A governadora aposta em obras estruturadoras, investimentos bilionários e uma agenda de entregas que a coloca em posição de destaque em todas as regiões de Pernambuco. Sua estratégia é consolidar sua imagem de gestora eficiente, aproveitando o tempo e os recursos que o cargo oferece até o último momento antes da eleição.

JOÃO CAMPOS PERDE VANTAGEM AO SAIR DA PREFEITURA E FICA SEM PALCO DE VISIBILIDADE
A partir de abril, João Campos deixará o comando da Prefeitura do Recife para disputar o governo estadual, e isso representará mais do que uma exigência legal. Será também o fim da vitrine administrativa que tem sido a principal base de sua popularidade. O prefeito construiu sua imagem política associada à juventude, dinamismo e presença constante nas redes sociais e nas entregas de obras. Sem a caneta e o crachá de gestor, essa exposição tende a diminuir drasticamente. O desafio, então, será manter o engajamento e o prestígio sem o aparato da máquina pública municipal.

VICTOR MARQUES: UM SUCESSOR SEM EXPERIÊNCIA E SEM DNA E CARISMA POLÍTICO
A escolha de Victor Marques como sucessor de João Campos na prefeitura pode se transformar em um dos pontos frágeis da estratégia socialista. Desconhecido do grande público, sem vivência política e com um perfil técnico, Marques dificilmente repetirá o carisma e o ritmo de João. Para os analistas, ele não deve somar votos ao projeto estadual do PSB e corre o risco de ser apenas um “prefeito tampão” sem influência real. Isso significa que, durante o período de desincompatibilização, Campos não terá uma retaguarda política forte na capital, onde o eleitorado é decisivo.

RAQUEL MANTÉM O CONTROLE DA MÁQUINA ESTADUAL E AUMENTA SUA CAPILARIDADE POLÍTICA
Enquanto João perderá a visibilidade, Raquel permanecerá firme no Palácio do Campo das Princesas, com a estrutura do estado a seu favor. A governadora administra um orçamento robusto e prepara uma sequência de entregas estratégicas — como novas delegacias, maternidades e batalhões da PM — que serão inauguradas em pleno ano eleitoral. Além disso, o PSD controla mais de 70 prefeituras, muitas delas no interior, onde a capilaridade é determinante para o resultado nas urnas. Raquel tem usado esse poder político para fortalecer alianças e ampliar seu alcance, inclusive na Região Metropolitana do Recife.

PESQUISAS FAVORECEM JOÃO, MAS TENDÊNCIA É DE ESTABILIZAÇÃO E QUEDA GRADUAL
As pesquisas de opinião, como a recente do Instituto Datafolha, apontam João Campos com uma vantagem de 22 pontos percentuais sobre Raquel Lyra. No entanto, essa dianteira pode ter atingido o seu teto. Analistas indicam que a curva do prefeito começa a se estabilizar, enquanto a governadora mostra sinais de crescimento contínuo. A história política de Pernambuco já mostrou que lideranças em ascensão prolongada — como a trajetória vitoriosa de Raquel em Caruaru e depois no governo — costumam levar vantagem sobre adversários que atingem o pico muito cedo.

OS ALIADOS DE RAQUEL SE MULTIPLICAM E PREFEITOS FORTALECEM SUA BASE NO INTERIOR
Outro ponto que preocupa o PSB é o avanço da governadora sobre o interior. Além de contar com mais de 70 prefeitos filiados ao PSD, Raquel vem conquistando apoios pontuais de lideranças que antes orbitavam no campo socialista. Prefeitos da Região Metropolitana do Recife, tradicional reduto de João Campos, também começam a demonstrar simpatia pela governadora, reconhecendo a força de sua gestão e a promessa de continuidade dos investimentos. O cenário é de migração lenta, mas constante, que pode se intensificar com o andamento das obras estaduais.

JOÃO CAMPOS TERÁ DE MONTAR CHAPA ANTECIPADAMENTE, ENQUANTO RAQUEL TEM TEMPO A SEU FAVOR
Por estar fora do governo, João Campos precisará anunciar sua chapa ainda no primeiro semestre de 2026, especialmente os nomes ao Senado, para dar início à campanha com estrutura e discurso alinhado. O problema é que há excesso de pretendentes — ao menos cinco nomes estão cotados, incluindo o deputado Eduardo da Fonte (PP). Já Raquel, sem a mesma urgência, pode aguardar até o último momento para definir alianças, observando o comportamento do cenário político e ajustando sua estratégia conforme as movimentações adversárias.

O FATOR LULA E O DESGASTE DA ESTRATÉGIA SOCIALISTA EM PERNAMBUCO
Embora João Campos mantenha proximidade com o presidente Lula e ainda usufrua do peso político do PSB no governo federal, analistas alertam que o eleitorado pernambucano vem demonstrando fadiga com a hegemonia socialista que dominou o estado por quase duas décadas. A nova geração de eleitores tende a buscar renovação, e Raquel se encaixa perfeitamente nesse perfil — gestora técnica, firme e com discurso de mudança. O apoio federal, por sua vez, pode se tornar um fardo se a popularidade de Lula continuar em oscilação até o pleito.

CENÁRIO DE DISPUTA ABERTA: RAQUEL AVANÇA E EQUILIBRA O JOGO EM 2026
Em resumo, o quadro político pernambucano caminha para um confronto equilibrado e de alto nível. João Campos mantém liderança, mas sua margem tende a se estreitar à medida que Raquel Lyra intensifica sua presença e amplia o alcance de suas ações. O discurso do “novo Pernambuco” que impulsionou o PSB durante anos agora ecoa na voz da governadora. O “passinho” que João dançava sozinho no ritmo da popularidade pode estar chegando ao fim, enquanto Raquel se aproxima com passos firmes, estratégias bem traçadas e um crescimento que promete redesenhar o mapa político do estado. Vamos que vamos!

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