ENCANTOS DO SERTÃO - ARCOVERDE

domingo, 30 de novembro de 2025

PL ROMPE ROTINA, SUSPENDE FUNÇÕES E SALÁRIO DE BOLSONARO ENQUANTO EX-PRESIDENTE INICIA CUMPRIMENTO DE PENA

O cenário político brasileiro viveu mais um abalo de grandes proporções nesta quinta-feira (27), quando o Partido Liberal anunciou oficialmente a suspensão das atividades partidárias e da remuneração que eram destinadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, que repercutiu imediatamente entre aliados e opositores, ocorre no mesmo momento em que o líder conservador inicia o cumprimento de sua pena na sede da Polícia Federal em Brasília, após condenação por tentativa de golpe de Estado no âmbito da Ação Penal 2668.

Segundo nota divulgada pela sigla, o PL afirma que tomou a medida “infelizmente” por força de exigências legais impostas pela Lei nº 9.096/1995 e pelo fato de Bolsonaro ter seus direitos políticos suspensos. Mesmo ocupando o posto simbólico de presidente de honra do partido — função criada sob medida para abrigar sua influência política após a saída do Planalto — Bolsonaro fica, a partir de agora, impedido de exercer qualquer atividade formal dentro da legenda. A suspensão inclui também a remuneração mensal que ele recebia, recurso que se tornou sua principal renda oficial desde que deixou a Presidência da República.

Nos bastidores, dirigentes têm reconhecido que o partido enfrenta uma situação delicada, tentando equilibrar-se entre a necessidade de cumprir a legislação eleitoral e o impacto político de se afastar, mesmo que temporariamente, de sua principal liderança. O comunicado do PL ressalta que a suspensão deverá permanecer enquanto vigorarem os efeitos da condenação — o que, na prática, é um período indeterminado, uma vez que depende de decisões futuras do Judiciário.

A decisão ocorre poucos dias depois de Bolsonaro se apresentar para iniciar o cumprimento da pena. O ex-presidente está encarcerado nas instalações da Polícia Federal em Brasília, em uma ala isolada e de segurança reforçada. O ambiente reservado segue padrões aplicados a figuras com elevado risco institucional, e Bolsonaro tem direito a acompanhamento médico e visitas restritas. Seu ingresso no regime prisional reacendeu debates sobre estabilidade democrática, intervenção militar e polarização social, temas que voltaram ao centro do debate público com intensidade.

Enquanto isso, nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro buscou conter eventuais ruídos dentro do grupo político do pai. Em uma publicação no X, ele alegou que a suspensão imposta pelo PL “foi algo obrigatório, e não por vontade do partido”, sustentando que a legenda não tinha alternativa diante das exigências legais. Flávio endureceu o tom ao classificar o impedimento de Bolsonaro como “arbitrário”, reforçando a narrativa de perseguição que o bolsonarismo adota desde o início dos processos judiciais que envolvem o ex-presidente.

O senador, que vem assumindo papel de liderança operacional no núcleo político da família, conclamou aliados à união e garantiu que manterá apoio irrestrito ao pai neste momento crítico. “Enquanto eu estiver vivo, nada faltará ao meu pai. Repito, é hora de ficarmos unidos”, escreveu, ampliando a retórica emocional em torno da crise que atinge o clã.

A combinação entre a suspensão partidária, a prisão e a continuidade das investigações abre um novo capítulo na trajetória de Bolsonaro e expõe fissuras que podem influenciar todo o tabuleiro político de 2026. Enquanto o partido tenta administrar os impactos de uma decisão inevitável, aliados articulam maneiras de preservar o capital político do ex-presidente, que, mesmo preso, continua a ser uma das figuras mais influentes e polarizadoras do país.


Nenhum comentário: