terça-feira, 13 de janeiro de 2026

A HISTÓRIA DE LAVÍNIA, 97 ANOS, E SEU CHEVETTE 1976 — UM EXEMPLO DE ENVELHECER COM LIBERDADE E ALEGRIA

Gaspar, interior de Santa Catarina — Quem passa pelas ruas da cidade e cruza com um Chevette 1976 reluzente, conduzido com calma, sorriso no rosto e respeito ao trânsito, logo reconhece: é a dona Lavínia. Aos 97 anos, ela segue firme ao volante do mesmo carro que a acompanha há mais de quatro décadas, transformando um veículo clássico em símbolo de independência e felicidade na terceira idade.

UM RITUAL DE LIBERDADE

Para Lavínia, dirigir não é apenas deslocar-se de um ponto a outro — é manter autonomia, identidade e conexão com o mundo ao seu redor. Estudos sobre envelhecimento destacam que a condução veicular está intimamente ligada à preservação da autonomia e ao bem-estar emocional de muitas pessoas idosas. Para muitos, inclusive, continuar dirigindo representa não apenas mobilidade física, mas também preservação de um papel social e identidade pessoal que se transforma com o tempo.

Dirigir proporciona a sensação de liberdade para decidir quando e para onde ir, algo que, com o passar dos anos, pode se tornar cada vez mais valioso quando outras habilidades começam a existir em menor grau. A própria literatura especializada mostra que a direção de um veículo pode ser uma das últimas expressões de independência para muitas pessoas na terceira idade.

O CHEVETTE QUE É PARTE DA VIDA

O Chevette 1976 de Lavínia — cuidado com carinho, detalhes restaurados e manutenção em dia — nasceu na década de 1970 e acompanhou as mudanças da vida dela. Ele não é apenas um automóvel antigo; é um símbolo de histórias, memórias e rotinas que atravessam gerações. A escolha de manter o carro original e rodar com ele revela ainda uma relação afetiva que vai além da funcionalidade: é amor à máquina, às lembranças e às rotinas cuidadosas que a acompanham diariamente.

Essa cena — uma mulher quase centenária ao volante de um clássico nas ruas da sua cidade — chama a atenção não apenas pela idade elevada, mas pela serenidade e responsabilidade com que ela encara a direção. Lavínia é exemplo de que é possível envelhecer mantendo qualidade de vida, desde que aliados estejam saúde, atenção às próprias limitações e respeito às normas de trânsito.

ENVELHECIMENTO ATIVO E SAÚDE MENTAL

Manter-se ativa em uma atividade complexa como dirigir pode ter impactos positivos na saúde integral dos idosos. Pesquisas indicam que pessoas que ainda dirigem tendem a manter melhor integração social e menor sensação de isolamento, além de impacto positivo em aspectos funcionais ligados à vida cotidiana.

Claro, o envelhecimento acarreta alterações nas capacidades físicas, sensoriais e cognitivas — fatores que podem comprometer a habilidade de dirigir — e por isso a direção na terceira idade deve sempre ser acompanhada por avaliações médicas periódicas e autoconsciência de limitações.

Mas a história de Lavínia representa algo maior: ela demonstra que envelhecer não significa parar, mas adaptar-se com alegria, responsabilidade e autonomia. Para muitos que a conhecem, ela é um lembrete vivo de que a vida pode seguir plena, mesmo depois dos noventa, quando se preservam os vínculos, as rotinas significativas e, sobretudo, a capacidade de escolher como viver o dia a dia.

UM EXEMPLO QUE CONTAGIA

Aos que veem a cena — moradores, visitantes ou curiosos — a imagem de Lavínia cruzando a cidade no seu Chevette inspira reflexões sobre envelhecimento, dignidade e felicidade. Ela prova com cada quilômetro percorrido que um bom envelhecimento também passa pela autonomia de escolher seus caminhos — sejam eles pelas ruas da pequena Gaspar ou pela estrada maior da vida.


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