O projeto, aprovado anteriormente com ampla maioria tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, previa alterações nos critérios de fixação das penas, o que poderia resultar na redução das condenações aplicadas a parte dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidas e depredadas.
A reação mais contundente veio do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que utilizou a rede social X, nesta quinta-feira (8), para criticar duramente o veto de Lula. Segundo o parlamentar, a decisão presidencial teria um caráter político e serviria como um “recado” aos opositores do governo. Na publicação, Sóstenes afirmou que o Brasil vive um “estado de exceção silencioso”, no qual, segundo ele, a aplicação das penas estaria sendo utilizada como instrumento de intimidação.
No mesmo movimento, a deputada Carol De Toni (PL-SC) protocolou um requerimento solicitando a convocação de uma sessão extraordinária do Congresso Nacional para que o veto seja apreciado o quanto antes. A estratégia da base bolsonarista é acelerar a análise e tentar reunir votos suficientes para derrubar a decisão do presidente.
Pelas regras constitucionais, caso deputados e senadores, em sessão conjunta, rejeitem o veto presidencial, o texto original do projeto é promulgado pelo próprio Congresso, passando a valer como lei. Esse cenário abriria caminho para a revisão das penas aplicadas pelo Judiciário aos condenados pelos ataques antidemocráticos.
Ao vetar o projeto, Lula sinalizou alinhamento com o entendimento de que as punições impostas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro devem ser mantidas como forma de preservar a democracia e reforçar a responsabilização por crimes contra o Estado de Direito. O Palácio do Planalto avalia que a mudança na dosimetria poderia enfraquecer o caráter pedagógico das condenações.
Com o veto colocado no centro do debate político, a tendência é de que o tema volte a tensionar a relação entre governo e oposição nas próximas semanas, transformando a análise do Congresso em mais um capítulo da disputa narrativa sobre os desdobramentos do 8 de janeiro e seus impactos institucionais.
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